23 novembro 2009

DOSSIÊ BARRA GRANDE

O texto abaixo é cópia fiel de postagem feita no portal da APREMAVI. Nossa intenção é dar divulgação ao assunto, e na medida do possível, colaborar com a luta que vem sendo travada na área de construção da Usina Hidrelétrica de Barra Grande, no vale do Rio Pelotas, divisa dos Estados de Santa Catarina - SC e Rio Grande do Sul - RS.


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Neste dossiê estão sistematizadas uma série de informações a respeito da Usina Hidrelétrica de Barra Grande, bem como das ações das ONGs realizadas no intuito de impedir que esta obra, construída com base numa fraude, afogasse uma floresta primária de araucárias e extinguisse da natureza uma espécie de bromélia.



A floresta ainda intacta - 2005


Foto: Adriano Becker


A floresta afogada - 2006


Foto: Márcio Repenning


Entendendo o caso

Barra Grande é uma localidade no vale do rio Pelotas, divisa de Santa Catarina com Rio Grande do Sul, onde a geografia traça belíssimos desenhos na paisagem formando uma calha de rio com declives acentuados, cobertos ora por uma exuberante floresta com araucárias, ora por campos nativos, ora por propriedades agrícolas que lá se implantaram ao longo do tempo.

As preciosas manchas de Floresta com Araucárias, formação florestal integrante do Bioma da Mata Atlântica, existentes no vale do rio Pelotas, estão na área de influência direta da Usina Hidrelétrica de Barra Grande, cuja barragem, de 190 metros de altura, foi concluída com base numa fraude. A formação de seu lago inundou uma área de aproximadamente 8.140 hectares, 90% da qual recoberta por floresta primária e em diferentes estágios de regeneração e por campos naturais. Ali, entre a floresta tragada pelas águas, sobrevivia um dos mais bem preservados e biologicamente ricos fragmentos de Floresta Ombrófila Mista do Estado de Santa Catarina, em cujas populações de araucária foram identificados os mais altos índices de variabilidade genética já verificados em todo o ecossistema.

A obra já estava quase pronta quando o empreendedor – a Energética Barra Grande S/A, cuja atual composição acionária tem a participação das empresas Barra Grande Energia S/A (Begesa), Alcoa Alumínio S/A, Camargo Corrêa, Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) e DME Energética Ltda. - solicitou ao Ibama um pedido de supressão das florestas a serem inundadas, quando descobriu-se que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) - documentos necessários para obter a licença de operação do empreendimento –, entregues em 1998 ao Ibama, omitiram a existência desses remanescentes de Floresta com Araucária com importantes populações naturais de espécies ameaçadas de extinção.

Não é demais lembrar que o processo de licenciamento iniciou-se na época em que Fernando Henrique Cardoso era Presidente da República. A licença ambiental prévia (LP) foi concedida em 1999 pela então presidente do Ibama Marília Marreco e a licença de instalação (LI) foi concedida em 2001 pelo então presidente do Ibama Hamilton Casara.

Em 2003, já no governo Lula, ao analisar o pedido de supressão, o Ibama solicitou um inventário florestal, elaborado e apresentado pelo empreendedor, que mostrou, desta vez, a real situação da cobertura florestal existente na área a ser inundada. Na verdade, o Rima apresentado havia reduzido a cobertura florestal primária da área a ser alagada de 2.077 para 702 hectares, a área de floresta em estágio avançado de regeneração - tratada no documento como um “capoeirão” – de 2.158 para 860 hectares e a área de floresta em estágios médio e inicial de regeneração - tratada apenas como “capoeira” – de 2.415 hectares para apenas 830 hectares.

Além disso, não fazia menção clara sobre os campos naturais, que estão presentes em mais de 1.000 hectares. Ou seja: a licença de instalação da obra havia sido concedida pelo próprio Ibama, em junho de 2001, em pleno vigor da Resolução CONAMA no 278 de 27.05.2001(que protege as espécies ameaçadas de extinção), com base em um documento que falsificara a real situação dos remanescentes de Mata Atlântica existentes na área a ser diretamente afetada pelo reservatório. Omitira, inclusive, a existência de um raro fragmento de Floresta com Araucária com alto índice de diversidade genética – informações que, considerando a legislação em vigor, poderiam inviabilizar a instalação do empreendimento.

Diante deste quadro, as ONGs ambientalistas realizaram uma visita à região e, constatando a gravidade da situação, a Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses e a Rede de ONGs da Mata Atlântica impetraram, em setembro de 2004, uma ação civil pública na Justiça Federal de Florianópolis(SC), na tentativa de reverter esta absurda situação. Enquanto isso o governo federal assinava com a empresa um Termo de Compromisso que viabilizou a emissão de uma autorização de desmatamento pelo atual presidente do IBAMA, Marcus Barros.

A briga na justiça teve vários episódios, mas como a liminar nunca foi concedida, o IBAMA acabou emitindo em junho de 2005, a licença de operação da hidrelétrica, sem que a ação tivesse sido julgada, acabando assim com a esperança de salvar as florestas com araucárias e também o local das últimas populações da bromélia Dychia distachya, que desta forma foi extinta da natureza, num episódio que vai ficar marcado para sempre como a primeira extinção de uma espécie consentida pelo poder público.

Muitas foram as ações a favor da floresta, grandemente reforçadas e garantidas pelo apoio recebido do Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB, que já estava lutando para que fossem garantidos os direitos dos proprietários que seriam expulsos de suas terras. A partir da ação das ONGs ambientalistas e do MAB o escândalo chegou ao grande público por meio da imprensa e continua sendo noticiado nos mais diversos veículos, inclusive após o enchimento do lago.

Este dossiê reúne artigos e textos sobre o caso da UHE Barra Grande, notícias, documentos, fotografias e vídeos. É também um registro em memória da luta pela preservação das florestas e da população do vale do rio Pelotas. O resgate dos absurdos, mentiras, fraudes e omissões que nortearam o processo de licenciamento da UHE Barra Grande, deve servir de lição a todos, para que casos como este não se repitam no futuro.


Texto: Miriam Prochnow


11 novembro 2009

A PÉROLA DO MINISTRO DA JUSTIÇA



Enquanto o presidente LULA se apressava em dizer que não houve “falta de geração de energia", mas "um problema na linha de transmissão", como se isso fosse o bastante para afastar os efeitos danosos do "apagão" que atingiu 18 (dezoito) Estados brasileiros na noite de ontem (10/11), o seu ministro da justiça, TARSO GENRO, nos brindou com uma verdadeira pérola.

Segundo ele, que reconheceu estar "DANDO PITACO" sobre tema que não pertence à sua "área de atuação", o "apagão" "foi um microproblema perto das grandes questões que já foram solucionadas pelo governo no país”.


O ministro da justiça chegou a essa demagógica conclusão porque não estava voltando prá casa, de trem, metrô ou ônibus, depois de um duro dia de trabalho; não ficou preso em nenhum elevador; seus filhos ou netos não estão entre as 1.602 crianças de 03 (três) escolas e 04 (quatro) creches da rede municipal do Rio que não funcionaram na manhã desta quarta-feira (11/11) por causa da falta de água; não eram dele ou de familiar seu os 06 (seis) bebês que tiveram que ser transferidos às pressas de um hospital sem gerador de energia em Bauru - SP; não ficou perdido entre semáforos desligados e ruas sem qualquer iluminação e à mercê de assaltantes.

É, meu querido TARSO, perdeste uma grande oportunidade de ficar calado e não falar bobagens!


04 novembro 2009

A CEF PAGA O PASTO E O STF O MICO



JOSÉ ANTONIO DIAS TÓFFOLI nem tomou assento no SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL e já entrou no esquema, usufruindo as benesses do poder. Sua festa de posse foi patrocinada pela CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, que para tanto desembolsou R$ 40 mil.


“É claro que é um desgaste para ele e para a instituição também, mas só posso presumir que ele não estava a par disso”, observa o ministro MARCO AURÉLIO. “Isso desvaloriza o Supremo, que deveria ser preservado como uma instituição acima de qualquer suspeita”, arrematou o senador ÁLVARO DIAS - PSDB-PR, um dos maiores críticos da indicação do advogado para a maior Corte de Justiça do País.

Ele, TÓFFOLI, é claro, afirma que não tinha conhecimento do patrocínio, até porque a recepção foi organizada por associações ligadas à magistratura, como revelou o jornal FOLHA DE SÃO PAULO. “A festa não foi iniciativa minha nem do Supremo. Eu fui apenas um convidado”, argumenta o ministro, acrescentando: “Não pedi festa nenhuma e não sei onde obtiveram o dinheiro. Supus que os recursos vieram dos associados, mas de onde veio o dinheiro não é problema meu”. E arrematou: “É problema de quem ofertou, e não meu.

Como não podia faltar um bombeiro do Planalto, o líder do PT na Câmara, CÂNDIDO VACCAREZZA - SP, lembra que a CEF está disputando mercado com todos os bancos e patrocina eventos em vários ramos. Ele acha que a oposição está no seu papel legítimo de criticar, mas diz que “o errado é dizer que aí tem problema legal e ético, porque não tem”, acrescentando que não há nada na lei que impeça a Caixa de “financiar” a posse de um ministro.

Ainda assim, críticas não faltam.“É um absurdo desnecessário a Caixa, um banco público, financiar festa de ministro. Para que festa de posse?”, dispara o senador PEDRO SIMON - PMDB-RS.

o - o - o - o

Cá entre nós, bem a boca miúda, todo esse faltório não passa de jogo de cena! Se é legal, imoral ou engorda, não interessa! Se a importância gasta na "festinha" daria prá "bancar" cerca de 400 cestas básicas também não importa! Ninguém será punido porque esse é o sistema! Quem está fora QUER ENTRAR e quem está lá dentro NÃO QUER SAIR! Certo, errado, ilegal, imoral? Quem está interessado nessas expressões ultrapassadas e tão fora de moda? O que importa, se quem paga a conta somos nós!!!



VIVA O NOVO MINISTRO!!!


BATAM PALMAS, BOBOS DA CORTE!!!

ELE TEM "AQUILO ROXO" OU COLLORIDO?


Interessante reportagem foi publicada no dia 01/11 pelo jornal EXTRA. A matéria é assinada por Ana Paula Araripe. O texto, na íntegra, está logo abaixo:





Rosane Malta acusa Collor de ter 'confiscado' suas joias e briga para ter direito à metade do patrimônio do ex-marido


Em setembro de 2006, quando Fernando Collor de Mello ainda ensaiava em Alagoas o seu retorno à cena política, o telefone tocou na mansão do bairro Murilópolis, em Maceió. Do outro lado da linha, uma voz ameaçava de morte a ex-primeira-dama do país e ex-senhora Collor.

- Eu ia para o lançamento do CD evangélico de Cecília de Arapiraca. A pessoa dizia que se fosse ao evento, eu não voltaria - relembra hoje, aos 45 anos, Rosane Brandão Malta.

Separada há quatro anos e meio do senador pelo PTB, ela não se intimidou. O recado, dado sabe-se lá por quem, foi enviado durante a campanha de 28 dias do ex-marido ao Senado. Na época, Rosane tinha con-firmado aos jornais declarações da ex-mãe de santo Cecília de Arapiraca de que o ex-presidente participava de rituais macabros.

- Se disser que não tenho medo de morrer,estaria mentindo. Acredito que Deus me ama e não vai permitir que nada de mal me aconteça, mas que sou um arquivo vivo, eu sou. Eu já disse na Justiça que qualquer coisa que acontecer com a minha vida, a responsabilidade é dele - acrescenta, se referindo ao ex-presidente da República, com quem foi casada por quase 22 anos.

Às voltas com ação na 27ª Vara de Família de Alagoas para receber - segundo o seu advogado Joathas Lins de Albuquerque - R$ 334.950 referentes a pensões atrasadas, Rosane briga na Justiça para ter direito à metade do patrimônio do ex-marido. A disputa é difícil já que assinou, quando se casou, pacto abrindo mão de todos os bens do mandachuva da Organização Arnon de Mello - um grupo que inclui uma TV, um jornal, um site de notícias, uma gráfica e quatro rádios. Atualmente, Rosane recebe de Collor pensão de R$ 13 mil, um terço do que ganhava na época em que Paulo César Farias dizia que "madame estava gastando demais". O senador ainda paga o salário de quatro funcionários da mansão de Murilópolis, comprada logo após o casal deixar o Palácio dos Martírios, então sede do governo de Alagoas. Rosane dirige o próprio carro, um Fiesta 2007, vai a supermercado e paga as contas. Viagens? Só perto de Maceió. Não, ela não esquia mais em Courchevel, nos Alpes franceses. Na casa, decorada com tapetes persas e porcelanas vindas de Miami, restam apenas os livros do ex-marido. Retrato do casal à mostra, só um. Rosane ainda tem no armário roupas de estilistas europeus, mas acusa Collor de ter lhe "confiscado" joias e malas da grife Louis Vuitton.

- Tive um grande amor que foi o Fernando. Nunca imaginei que fosse terminar assim - diz, acrescentando que seu marido saiu de casa dizendo aos empregados que ia a Recife e nunca mais voltou. Depois, ela viu a foto dele em jornais com a atual mulher, Caroline Medeiros,com quem Collor teve duas filhas.

Em entrevista ao EXTRA, quase 20 anos após a primeira eleição presidencial direta depois da ditadura, Rosane relembra a vitória de Collor em 1989, fala sobre o impeachment e PC Farias.

Procurado pelo EXTRA ao tomar posse na Academia Alagoana de Letras, no dia 23, Fernando Collor não quis se manifestar sobre as declarações de Rosane ou qualquer outro assunto.


Medo de morrer

"Se disser que não tenho medo de morrer, estaria mentindo. Acredito que Deus me ama e não vai permitir que nada de mal me aconteça, mas que sou um arquivo vivo, eu sou. Presenciei fatos que o Fernando não gostaria que viessem à tona. Eu já disse na Justiça que qualquer coisa que acontecer com a minha vida, a responsabilidade é dele".


O fim do casamento

"Quando acontece uma separação, é porque o relacionamento não estava bem. Agora, foi ele (Collor) quem se separou, saiu de casa. Descobri que ele estava com outra pessoa (Caroline Medeiros), que reconstruiu sua vida. Acredito que o amor acabou".


Foi ali e não voltou

"Fui para São Paulo, passar dois ou três dias. Ele até ia se encontrar comigo, mas a gente acabou discutindo por telefone. Eu disse: "A gente tá discutindo muito, é melhor você ficar aí". Mas a Beth Szafir (amiga de Rosane, sogra da apresentadora Xuxa) me disse para eu fazer uma surpresa ao Fernando. Eu fiz. Cheguei aqui e ele já não estava mais, tinha deixado um recado que tinha ido para Recife passar o fim de semana, mas que voltaria. Não voltou".


'Traição' pelos jornais

"Você vê aquilo tudo que você tinha construído, minha casa de São Paulo, tudo sendo invadido por outra pessoa. Isso sem você saber quando e por que, porque fiquei sabendo através dos jornais. Eu ainda estava casada com ele, nem sabia que já estava separada".


Vida digna

"Ele construiu uma nova vida, que Jesus abençoe, que seja muito feliz. Agora, quero também que ele me dê o direito de ter vida digna, vida decente. Que possa ter o meu carro para andar, minha casa, que possa também usufruir daquilo que nós construímos ao longo de 22 anos. Não tenho hoje absolutamente nada. Tem um carro (Hyundai) que está em Brasília. Descobri, agora, que estava em meu nome".


Pior do que impeachment

"No impeachment, nós perdemos um cargo. Mas, agora, foi a minha vida. Estava debilitada, frágil, tinha perdido a minha mãe (em maio de 2004). Imagina você chegar em casa e não encontrar mais o seu marido? Em quatro anos e meio, nunca ter falado com ele ao telefone, nunca ter tido um contato com ele? Então, isso é o que mais me dói. Essa interrogação, por que tudo isso? Ninguém é obrigado a viver com ninguém. As pessoas têm o direito de ser felizes, mas elas têm de ser leais, íntegras".


Restituição

"Fui guerreira, amiga e companheira nos momentos mais difíceis da vida dele. Quando o Fernando ficou numa situação difícil, que não tínhamos dinheiro para nada, porque estava tudo confiscado, estava do lado dele. Então, acho que ele tem que ser justo. E como ele pode ser justo? Me devolvendo, restituindo aquilo que é meu por direito. Creio que Deus vai tocar no coração dele e ele vai chegar a um acordo,para que possa viver em paz e eu também".


Danos morais

"Fernando pediu a minha mão em casamento a meu pai. Renunciei a muitas coisas, deixei de assumir a minha profissão. Eu sou formada em administração de empresas. Não pude exercer, tinha que viajar com ele o tempo todo. Ele era o político. Vou fazer um processo também contra ele por danos morais. Porque ele me tirou até isso. Hoje é difícil, quem quer dar um emprego para uma ex-primeira-dama? Qual foi o trabalho que fiz? Trabalhei na LBA e, durante algum tempo, na Organização Arnon de Mello. Então, abri mão".


'Confisco' de joia

"Quero aquilo que é meu de direito. Não é só a questão das joias. Elas são um detalhe, porque são minhas, são presentes que ganhei e estavam na casa de São Paulo. Quando ele mandou minhas roupas, eu disse que minha vida com ele se resumiu a 101 caixas, porque ele pegou as minhas roupas de Brasília, de São Paulo e de Miami e colocou em 101 caixas e mandou entregar aqui na minha casa de Maceió. E não mandou as joias, confiscou. Tenho fotografias de tudo. Está tudo isso na Justiça e espero que, realmente, ele me devolva".


Malas Louis Vuitton

"Quando a gente viajava, ele comprava malas Louis Vuitton e colocava as iniciais, as minhas letras RCM, Rosane Collor de Mello, e as dele também, FCM. Um belo dia, acordei e a minha empregada disse: "Olha, o dr. Fernando mandou o motorista dele vir aqui e levou todas as malas". Eu falei: "Que malas?". "Levou as malas Louis Vuitton que tinham as iniciais". As malas comuns, ele deixou todas, mas as malas com as letras ele levou absolutamente todas. Achei tão miúdo, tão pequeno, uma pobreza de espírito tão grande".


Quem é Collor

"Uma incógnita, não o conheço. Passamos por situações lindas e maravilhosas, mas também por problemas difíceis. Nunca acreditei que ele pudesse fazer a metade do que tem feito. Ele nunca me explicou o porquê dessa vingança. Não é na destruição que você consegue algo nessa vida. Então, acho que, em memória de tudo que vivemos, espero que ele faça Justiça e me devolva aquilo que é meu de direito".


Constrangimento

"O que ele me deve, não vai poder pagar nunca. Ele pode pagar com bens materiais, porque isso é um direito que vou buscar até conseguir. Agora, pagar o que ele me deve, é difícil. Porque o que eu passei, o constrangimento, só a mão de Deus mesmo".


Decepção com o 'homem"

"Eu não me decepcionei com o Collor, eu me decepcionei com o Fernando, meu marido, com a pessoa com quem vivi durante 22 anos. Essa pessoa que está aí hoje, eu não conheço. Ou, talvez, como meu analista falou, acreditei que ele pudesse fazer com as outras pessoas, mas que seria incapaz de fazer comigo, por tudo que passamos. Então, me decepcionei com o homem. E muito".


Morte da mãe

"No momento em que mais precisei dele (na morte da mãe, em 2004), ele não estava comigo. Não me esqueço de quando disse a ele: "Não estou bem, estou precisando de você. Ele falou: "Não estou nem me aguentando, imagine ajudar os outros".


Não votou em Collor

"Jamais poderia votar. Até o momento em que estávamos casados, aí, claro, eu sigo a Bíblia. Jesus disse que, quando a gente casa, a gente é um só espírito, uma só carne. Mas, a partir do momento em que houve a separação, houve traição, ele construiu sua vida com uma outra pessoa, não posso votar em uma pessoa que não admiro. Como é que posso chegar e depositar o meu voto numa urna numa pessoa em quem não acredito, numa pessoa que não foi correta comigo? Se uma pessoa com quem viveu 22 anos ele foi injusto, como é que ele pode ser justo com uma nação? Então, jamais votaria nele".


Candidatura em 2010

"Olha, as pessoas já me lançaram, colocaram outdoor. Agora, me filiei ao Partido Verde. Meu ex-namorado Alder Flores (advogado), que namorei um ano e pouco, me convidou. Vamos ver, tô deixando porta aberta, posso me candidatar ou não".


Ponto de interrogação

"A minha vida está um ponto de interrogação. Eu luto para que possa encontrar uma pessoa e possa reconstruir a minha vida. Mas sou determinada, acredito que Deus vai restituir tudo aquilo que me foi roubado".


Bens acumulados

"Muitas coisas, ele (Collor) conseguiu porque era empresário. Muitas coisas conseguimos também com o trabalho dele. Ele foi deputado federal, governador, presidente da República. Não acredito que os bens que conseguiu foram fruto da corrupção. Até porque ele foi inocentado. O Supremo Tribunal Federal o inocentou. Eu não estou aqui para julgá-lo. A Justiça que julgue se ele é inocente ou culpado. Ele foi inocentado, como eu também".


Quatro advogados

"Acredito que a Justiça de Deus nem tarda nem falha, mas espero que a Justiça aqui da terra seja feita. E que não fique velhinha, esperando aquilo que é meu. Pelo processo já passaram quatro advogados e quatro juízes. Meu advogado está levantando bens e salários (de Collor)".


Eleição de 1989

"No começo, nem mesmo nós acreditávamos. Mas, depois, quando a gente começou a percorrer o Brasil e a ver a campanha crescendo... No segundo turno, a gente começou a ter certeza de que seria ele, porque a pesquisa mostrou que o Fernando realmente tinha se saído melhor do que o Lula no debate na TV".


Primeira-dama

"As pessoas exigiam que eu fosse perfeita em tudo. Tinha que estar bem vestida, alegre e feliz. Não se preocupavam que não era fácil, tinha 26 anos e obrigações muito fortes, convivia com pessoas mais velhas".


A saída da Presidência

"O Fernando era muito jovem, tinha 40 anos.Foi eleito pelo PRN, um partido pequeno, e não se preocupou em ter um partido forte, que desse sustentação a ele. Acho que ele não merecia o impeachment. Seria a última pessoa que poderia estar aqui defendendo o Fernando, mas sou justa. Não acho que ele foi um bom político, mas acho que teve medidas boas".


Renan e Collor

"O Renan apoiou o Fernando para a Presidência. Depois romperam e, agora, estão juntos. Aliás, estão todos juntos. Na política, não me surpreendo com mais nada, idealismo não existe".


Escândalos na LBA

"Acho que cometi um erro quando assumi a LBA. Eu poderia ter colocado uma pessoa que fizesse tudo aquilo que eu queria, só que eu não assinaria nada. Então, não teria tido problemas. Tive problemas, mas, graças a Deus, fui inocentada. Até o meu salário como presidente da LBA eu doava para entidades carentes. E a prova é que não tenho nada em meu nome".


Poder e mordomia

"O poder enlouquece as pessoas, mas venho de uma família de políticos. Sempre procurei e pedi a Deus que o poder não subisse à minha cabeça, porque ele é efêmero. Imagina uma menina de 26 anos, primeira-dama do país, viajando pelo mundo, sentada ao lado da princesa Diana... Então, essas coisas fazem com que você se deslumbre um pouco e as facilidades também. O que você sonha, está ali. Num estalar de dedos, tem tudo. Você chega nos melhores hotéis, com tudo à disposição, é uma mordomia muito grande".


Votação na Câmara

"O dia da votação do impeachment (29 de setembro de 1992) foi o pior, antes da renúncia. Foi um pesadelo aquela noite. Ele me ligava de minuto em minuto, mais um voto contra, mais um voto contra... e de pessoas que haviam estado com a gente na véspera e que diziam estar a favor dele".


Trabalhos espirituais

"Havia rituais lá na Casa da Dinda (onde Rosane e Collor moravam, em Brasília, durante o período em que ele era presidente da República). Era para abrir caminho, aquelas coisas. As pessoas mandavam coisas ruins e ele mandava de volta. Ele acreditava nisso. Tinha, tinha animais (sacrifício de animais)".


Reforma no apartamento

"Ele estava reformando um apartamento que era nosso, aqui em Maceió, e aí aconteceu de se interessar (pela arquiteta Caroline Medeiros)... Se ele não estava mais feliz e queria a separação, que dissesse: "Rosane, encontrei outra pessoa, quero viver com ela. Agora, está aqui, o que é nosso, vamos dividir". Deveria ser um homem de verdade, o que acho que ele não é..."


PC Farias

"Tínhamos relacionamento, sim (com PC, foto). Nunca viajamos juntos, mas fomos ao Sambódromo, ele dançou tango lá. Ia à casa da Dinda, tomava café da manhã. Mas nunca soube que era ele quem pagava as contas.Tanto que tomei um susto quando ele disse: "Madame está gastando muito". Achava até que Fernando é quem depositava (dinheiro), que a secretária dele, Ana Acioli, era quem colocava na minha conta. De onde vinha (o dinheiro), não ia perguntar, nunca perguntei".


Apenas um encontro

"Eu e Fernando nunca mais trocamos uma palavra. Eu o vi só uma vez, aqui em Maceió, mas não nos falamos. Fiquei em estado de choque. O que estou brigando é o que acredito que é justo. Foi um patrimônio que nós construímos. O que ele me deve, não vai poder pagar nunca. Fernando, por favor, foram 22 anos que a gente viveu juntos, faço apelo: venha conversar comigo".


Briga de irmãos

"Existia disputa, econômica também, entre os dois (Fernando e Pedro Collor, foto). Achava que a briga deles era só sobre o jornal, porque PC queria lançar "A Tribuna" e o Pedro não queria. Eu dizia que o Pedro estava doido de dizer que o jornal era do Fernando, mas, depois, descobri que era dele. Eles nunca se deram bem, a família (Collor) toda é desestruturada, vivia brigando. Fernando não foi ao enterro dele (Pedro), nem no da mãe (Leda). Não sei se Fernando perdoou o Pedro".


Inimigas até hoje

"A Thereza Collor (foto) criou essa história de que em vez de eu falar estola de pele, falei pistola. Isso é mentira. Não me dou com ela. Ela me fez muito mal. Nunca tivemos relação boa, mas me dou bem com os filhos dela.... Ela não permitiu que Fernando e Pedro se vissem quando o marido estava morrendo".


Algumas da pessoas citadas:

Paulo César Farias - Ele foi tesoureiro da campanha de Collor para o governo de Alagoas e, depois, para a Presidência da República. O esquema PC teria movimentado 1 bilhão de dólares. Ele foi preso em Bangcoc, na Tailândia, cumpriu pena e, no dia 23 de junho de 1996, foi assassinado em Alagoas. Em 2006, a família Farias atuou na campanha de Collor para o Senado Federal.

Pedro Collor - Ele denunciou o esquema PC e o próprio irmão, Fernando Collor. Suas declarações abriram caminho para o primeiro processo de impeachment da história política brasileira, em 1992. Em dezembro de 1994, morreu de câncer no cérebro, num hospital em Nova York, nos Estados Unidos.

Thereza Collor - Quase dez anos depois de tornar-se conhecida como a musa do impeachment, a mulher de Pedro Collor e filha do empresário alagoano João Lyra (aliado de Collor) casou-se, em 2001, com o empresário carioca Gustavo Halbreich. Antes, namorou Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente FHC.

Renan Calheiros - Quando Collor era prefeito de Maceió, o então deputado estadual o chamava de "príncipe herdeiro da corrupção". Ele defendeu o impeachment. Agora, Renan e Collor estão juntos, na defesa do presidente do Senado, José Sarney, e nas eleições do ano que vem em Alagoas.