31 janeiro 2010

Uma vitória de raça, uma vitória de campeão!

Kléberson empatou o jogo em 3 a 3

O Flamengo, campeão brasileiro de 2009, fez hoje com o Fluminense um clássico digno das tradições dos dois clubes. Com muita emoção durante os 90 minutos, o Flamengo mostrou porque precisa ser respeitado. Perdendo por 3 a 1, o time comandado por Andrade superou a desvantagem no placar e no número de jogadores, já que Álvaro foi expulso logo no início do segundo tempo, para fazer quatro gols no segundo tempo e vencer por 5 a 3 em jogo válido pela quinta rodada da Taça Guanabara.


Os gols do Flamengo foram marcados por Adriano (três vezes), Vágner Love e Kléberson. Os gols do Fluminense foram anotados por Alan, Conca e Cássio.

CASOS DE ENDOMETRIOSE AUMENTAM NO BRASIL


Resolvi trazer esse assunto aqui para o blog porque acho que ele deve interessar, muito e principalmente, às mulheres. Não é um tema onde eu possa me movimentar com facilidade simplesmente porque não sou médico. Por isso, o texto abaixo foi copiado, na íntegra, do portal mantido pela ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENDOMETRIOSE - SBE, onde você pode conferir a matéria (na janela que vai abrir, clique em "O que é a endometriose").


Leia com muita atenção:


"Considerada uma doença da mulher moderna, a endometriose caracteriza-se pela presença do endométrio fora do útero. O endométrio corresponde ao tecido que reveste a cavidade do útero, preparando-o para receber o embrião. Quando não ocorre fecundação, este tecido se descama e é eliminado através da menstruação. Na endometriose este tecido se implanta fora do útero, migrando, através da corrente sanguínea, para órgãos como ovários, ligamentos pélvicos, intestinos, bexiga, apêndice e vagina. Em casos mais raros pode ser encontrado em órgãos distantes, como pulmão, pleura e sistema nervoso central. Isso faz com que a doença seja tratada multidisciplinarmente, por especialistas de diversas áreas.

Algumas teorias apontam as causas do aparecimento do endométrio fora do útero. A mais conhecida é a “menstruação retrógrada”, que ocorre quando o fluxo sanguíneo volta pelas tubas uterinas, sendo derramado nos órgãos próximos, como ovários, peritônio, intestino. Outra teoria muito considerada para o desenvolvimento da doença são falhas no sistema imunológico. Uma outra hipótese estuda a transformação de células, que assumem as características do endométrio, fora do útero.

Antigamente, as mulheres menstruavam menos, cerca de 40 vezes durante seu período reprodutivo, pois engravidavam mais vezes. Isso inibia o desenvolvimento da doença. Hoje, a mulher tem cerca de 400 menstruações durante este período. Estresse, ansiedade e fatores genéticos também podem estar relacionados à incidência da doença.

Os transtornos físicos causados pela doença afetam diretamente a qualidade de vida da mulher, que também é prejudicada em suas relações pessoais e profissionais. As fortes dores muitas vezes obrigam a portadora da enfermidade a faltar ao trabalho, além de alterarem sensivelmente seu estado de humor, tornando difícil o convívio com outras pessoas.

Apesar da gravidade da doença e do grande número de mulheres que sofrem com este mal, a desinformação a respeito da endometriose leva ao diagnóstico tardio, piorando as condições de tratamento e prolongando o sofrimento".


Segundo o Dr. CLÁUDIO CRISPI, membro da entidade, "cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor ao evacuar ou urinar no período menstrual e ao ter relações sexuais são os sintomas da endometriose", uma doença que afeta cerca de 15% da população feminina, principalmente dos 15 (quinze) aos 45 (quarenta e cinco) anos, e foi tema de um congresso mundial recentemente realizado na Austrália, que contou com vários ginecologistas, entre eles o prório CLÁUDIO CRISPI, que comentou: "O evento foi muito importante para demonstrar que a doença continua em sua escalada, comprometendo mulheres cada vez mais jovens, o que tem dificultado o tratamento e contribuído para acentuação dos casos de infertilidade", diz. Só para se ter idéia da gravidade do problema, tal complicação é detectada em quase 50% dos casos diagnosticados como infertilidade. O fenômeno pode causar dores intensas no período menstrual, como cólicas que chegam a se tornar incapacitantes, além de dores durante as relações sexuais, dificuldade de engravidar e infertilidade".

MAIS UM CRIME SEM PUNIÇÃO


Segundo o jornal O GLOBO (clique aqui para ver a matéria), 10 (dez) anos depois do vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo de um duto da Refinaria Duque de Caxias - REDUC, da PETROBRÁS, na Baía de Guanabara, a 5ª Vara Federal Criminal de São João de Meriti absolveu os acusados pelo vazamento, alegando, entre outras coisas, falhas na denúncia feita pelos procuradores do Ministério Público federal - MPF, considerada genérica.

A procuradoria do Ministério Público Federal, por sua vez, não recorreu da decisão por entender que os crimes praticados, com penas máximas muito baixas, estariam prescritos no momento do julgamento de um recurso em segunda instância.

Assim, o processo criminal de uma das maiores tragédias ambientais da história do Estado do Rio de Janeiro foi definitivamente arquivado sem punir ninguém. O único a pagar alguma coisa foi José Hermes do Valle Lima, operador de dutos da PETROBRÁS, que no meio da ação, optou pela extinção da sua punibilidade, tirando do próprio bolso seis salários mínimos, a R$ 240 na época, através da suspensão condicional oferecida pela Justiça.

Para o procurador da República Renato Machado, que assumiu o processo na parte final, os responsáveis ficaram impunes devido a uma combinação de fatores que inclui ainda o excesso de procuradores e juízes cuidando do processo ao longo dos dez anos, penas máximas muito baixas para crimes ambientais e a exclusão da PETROBRÁS da lista dos réus.

Trocando em miúdos: talvez por uma investigação mal feita ou pura incompetência dos procuradores da República, a denúncia oferecida foi considerada inepta pela justiça, acarretando a absolvição de todos os acusados. Os procuradores da República não recorreram porque a Justiça Federal de São João de Meriti - RJ, que não funciona, levou 10 (dez) anos para julgar o processo, e ainda que uma decisão de Segunda Instância viesse a modificar a sentença absolutória, as penas a serem fixadas estariam prescritas.

Mais uma vez, uma legislação mal feita, as falhas na investigação policialo ou incompetência dos procuradores da República, aliadas à inoperância da Justiça Federal de São João de Meriti - RJ, que todo mundo conhece, deixam sem punição um crime monstruoso contra o meio ambiente, fazendo aumentar no coração do cidadão de bem a certeza de que a justiça nunca foi, não é, e jamais será igual para todos, punindo apenas os mais fracos, caso específico do pobre
José Hermes do Valle Lima, operador de dutos da PETROBRÁS, que se precipitou e pagou sozinho por um crime que talvez nem tenha cometido.

30 janeiro 2010

DICAS PRÁ COMENTÁRIOS NO BLOG


Tenho absoluta certeza, até porque o contador de visitas mostra isso, que muita gente passa por aqui e não deixa o seu comentário, tão valioso para o crescimento do blog, porque se atrapalha com a sequência de ações que são necessárias. Eu também, confesso, ainda não domino a matéria, mas vou tentar fazer um passo-a-passo bem simples de como comentar as nossas postagens.






PRIMEIRO
:

Clique na palavra "comentários", no final da postagem que você quer comentar.


SEGUNDO: Digite o seu comentário na caixa de texto "Postar um comentário" e clique na setinha onde está escrito "Selecionar perfil...", como na foto aí embaixo:




TERCEIRO:
Esse é o ponto em que a maioria das pessoas se atrapalha um pouco e acaba desistindo de comentar a postagem, por isso, prá encurtar o assunto, selecione a alternativa "Nome"/URL". Se você não quiser ser identificado, selecione "Anônimo".




QUARTO:
Digite o seu nome no espaço reservado. Se você quiser, pode digitar na janelinha "URL" o endereço de algum site que você tenha ou o seu email. Se não quiser usar essa opção, deixe o espaço em branco.
É importante esclarecer que se você digitar o seu email em "URL" ele ficará visível para qualquer pessoa, OK?




QUINTO
:
Clique em "Continuar" e pronto! O seu comentário aparecerá em segundos, logicamente se não depender de aprovação do dono do blog, o que acontece raramente. Aqui no DANDO PITACO a opinião é livre!


26 janeiro 2010

NOVA IGUAÇU: CIDADE SEM LEI!

O jornal O GLOBO (15/01) divulgou um suplemento dedicado aos 177 anos da CIDADE DE NOVA IGUAÇU, e nele incluiu uma entrevista do prefeito LINDBERG FARIAS, que segundo a matéria, está "prestes a deixar a prefeitura para concorrer a uma vaga de senador nas eleições de outubro". A entrevista tem uma passagem que chamou minha atenção. Foi quando o repórter perguntou ao prefeito o que ele "gosta de fazer na cidade". Eis a resposta:

- Gosto de pedalar pelas regiões da Reserva do Tinguá, de Jaceruba e de Adrianópolis. Há trilhas fantásticas. Também sou apaixonado pela Serra de Madureira, que costumo subir com frequência. É um forte teste de resistência. Lá, há um caminho lindo até o Parque Municipal de Nova Iguaçu. Gosto também de ir a restaurantes como o Forneria Frotté, o Akira e o Bistrô Mont Blanc.


Se ele frequenta os restaurantes mencionados eu não sei, até porque o meu poder aquisitivo não permite tais opções. Agora, quando vai pedalar ou caminhar pelas reservas de Tinguá, Jaceruba e Adrianópolis, além da Serra de Madureira, o que o prefeito faz é se esconder da população e dos problemas da verdadeira "cidade de Nova Iguaçu", coisa que ele faz desde que se elegeu pela primeira vez. Eu, por exemplo, que moro e sou estabelecido profissionalmente quase em frente à sede da prefeitura há cerca de 15 (quinze) anos, só vi o prefeito uma vez, e assim mesmo no calçadão, na última campanha eleitoral, ocasião em que ele, convenhamos, tem que aparecer prá apertar mãos e dar tapinhas nas costas das pessoas e beijinhos nas crianças. Isso é parte do ritual de campanha.




Esse costume de preferir as áreas turísticas e os restaurantes sofisticados explica porque o centro da CIDADE DE NOVA IGUAÇU vive mergulhado num verdadeiro caos, sem nenhuma providência efetiva do Poder Executivo que ele representa. Obras iniciadas às vésperas das últimas eleições e até hoje inacabadas, entre outras de péssima qualidade, que já começam a se deteriorar, aliadas a um trânsito caótico, sem o necessário planejamento de uma engenharia competente, e gerenciado por uma guarda municipal despreparada, infernizam a vida da cidade e do cidadão que paga impostos.




O calçadão e as calçadas do município, invadidos por ambulantes e produtos de todas as espécies e procedência, transformam a vida das pessoas, principalmente das mais idosas, e mulheres grávidas ou com crianças ao colo num verdadeiro suplício, já que precisam utilizar as pistas de rolamento para circular pela cidade, arriscando as próprias vidas.




Fiscais encarregados da postura, sem qualquer compostura, matam o tempo, à espera do salário no fim do mês, pendurados em aparelhos celulares ou atentos ao desfile de mulheres ou homens (de acordo com a preferência de cada um, claro!) que circulam pelo calçadão.



O funcionário responsável pela fiscalização do trânsito, estacionado em local proibido, fala ao telefone celular, sem nenhuma procupação com o exercício da função que o cidadão paga prá ele exercer
.



A população sofre ainda, a qualquer chuva um pouco mais intensa, com o alagamento de ruas e a invasão de
suas casas pelas águas pluviais, que retornam pelos ralos em razão de esgotos e galerias entupidas e sem qualquer manutenção há anos, o que acontece até mesmo na cara da prefeitura da CIDADE DE NOVA IGUAÇU.

As fotos que ilustram essa postagem dão bem a idéia do que se afirma, mas quem quiser se aprofundar um pouco mais é só dar uma olhadinha nas fotos que vêm sendo tiradas desde 2008. Elas documentam, com detalhes, a baderna que impera na cidade. Clique aqui e confira as quase 200 fotos da baderna da CIDADE DE NOVA IGUAÇU.

E cá entre nós, quem leu a entrevista de LINDBERG quase acredita que "hoje, as pessoas têm orgulho de ser daqui", e mais absurdo ainda, que "a classe média de Nova Iguaçú não quer mais se mudar para a Barra". Se isso fosse verdadeiro, porque é ele mora na Barra?

É assim que funciona a tática demagógica e eleitoreira de LINDBERG: o absurdo que ele diz é tão grande que parece verdadeiro! Ele mesmo acaba acreditando! E o povo, esse pobre coitado, não pára prá pensar e se deixa enganar!

Na verdade, LINDBERG veio para a aventura de Nova Iguaçu visando o governo do Estado, que ele não vai tentar agora prá não atrapalhar a reeleição de SÉRGIO CABRAL, importantante parceiro de LULA na tentativa de guindar DILMA ROUSSEFF à presidência da República.

No finzinho da reportagem ele ainda registra: "se for eleito, vou me tornar o senador da Baixada Fluminense". Que fofo!

Mas cuidado eleitor amigo! Se você bobear, vai acabar acreditando nisso e votando nele. Ele já acredita, acredite!

25 janeiro 2010

UM ANO SEM LUIZA



Ontem, dia 24 de janeiro, fez um ano que a LUIZA, essa coisinha linda da foto aí em cima nos deixou, depois de uma enorme luta contra um grave problema neurológico.


Eu só a conheci através de fotos no ORKUT, mas senti demais a sua partida, e a tristeza só não foi maior em razão do texto que foi deixado pela família na comunidade criada em homenagem a ela.

A mensagem é muito real e verdadeira:


“A morte não é tudo. Não é o final. Eu apenas passei para a sala seguinte. Nada aconteceu. Tudo permanece exatamente como foi. Eu sou eu, você é você, e a antiga vida que vivemos tão maravilhosamente juntos permanece intocada, imutável. O que quer que tenhamos sido um para o outro, ainda somos. Chame-me pelo antigo apelido familiar. Fale de mim da maneira que sempre fez. Não mude o tom. Não use nenhum ar solene ou de dor. Ria como sempre fizemos das piadas que desfrutamos juntos. Brinque, sorria, pense em mim, reze por mim. Deixe que o meu nome seja uma palavra comum em casa, como foi. Faça com que seja falado sem esforço, sem fantasma ou sombra. A vida continua a ter o significado que sempre teve. Existe uma continuidade absoluta e inquebrável. O que é esta morte senão um acidente desprezível? Porque ficarei esquecida se estiver fora do alcance da visão? Estou simplesmente à sua espera, como num intervalo, bem próximo, na outra esquina. Está tudo bem"!

Saudades de você, LUIZA...

VIREI SEM-TERRA E ENTREI NA FACULDADE


A reportagem é de Mariana Sanches, da revista ÉPOCA (nº 610 - 25 JANEIRO 2010):


Como eu e 70 mil jovens conseguimos vaga e desconto na universidade aderindo a uma entidade ligada a um deputado do PSDB e a uma ala da Igreja


MULTIDÃO
Reunião em 2009 juntou cerca de 40 mil pessoas em São Paulo. A presença no evento ajuda a garantir descontos na faculdade


Quando entrei em um galpão do bairro da Lapa, em São Paulo, às 10 horas da manhã de uma quarta-feira, nada na fachada azul do prédio permitiria antever a mudança de status social que sofreria em poucos minutos. Eu, jornalista, nascida em São Paulo, sem aspiração de vida no campo ou engajamento na reforma agrária, precisei de apenas uma foto 3x4 e R$ 1para me transformar em sem-terra de carteirinha. Encontrei quase 50 jovens na sede da Associação dos Trabalhadores Sem Terra de São Paulo (ATST). Um deles desembarcara de um automóvel Audi. Todos queriam tirar a carteirinha da associação, passaporte para ingressar em cursos de graduação oferecidos por faculdades privadas paulistas com descontos de até 65%.

Sem alarde, a associação instalou nos bancos universitários 70 mil jovens, o equivalente a 12% do total de beneficiados pelo ProUni, o programa do governo federal de distribuição de bolsas em faculdades. A quantidade de universitários sem-terra seria o bastante para ocupar todas as vagas da Universidade de São Paulo (USP), a maior instituição de ensino público do Brasil. Apesar de usar em seu nome a expressão “sem-terra”, a ATST surgiu há 23 anos como um movimento de moradia urbano. Logo após a fundação, dissociou-se do PT, que influencia a maioria das entidades do gênero. Por trás de sua engrenagem estão instituições de ensino, uma ala conservadora da Igreja Católica e o deputado estadual Marcos Zerbini (PSDB-SP), que criou e dirige a associação. No meio político, o grupo ganhou a alcunha de “MST tucano”.

Meu percurso até a realização do recorrente sonho de entrar na faculdade levou alguns meses. Transformada em sem-terra, precisei frequentar oito reuniões semanais com dirigentes da associação para conhecer as regras da entidade. A associação impõe disciplina espartana: não se admitem faltas ou atrasos, não é permitido usar o celular, levar acompanhantes ou ir ao banheiro, que fica trancado durante as reuniões. As sessões são iniciadas com orações. Primeiro um pai-nosso, depois uma ave-maria. Em seguida, instruções mais mundanas. Fui informada de que só conseguiria o desconto na faculdade se marcasse presença em nove dos 12 encontros mensais da associação. Além disso teria de pagar a taxa de associado, R$ 84, em três parcelas de R$ 28. Somente depois de pagar a primeira parcela pude prestar o vestibular que me daria acesso a um curso de graduação com desconto. No campus da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), respondi a 20 questões de múltipla escolha e escrevi uma redação. Fui aprovada e me matriculei no curso de Direito. Como “sem-terra”, paguei uma mensalidade de R$ 281,22, valor 65% menor do que um estudante sem vínculo com o “MST tucano” paga pelo mesmo curso.

O convênio entre as faculdades e a ATST existe há seis anos. Pelo menos 20 instituições de ensino de São Paulo fazem ou já fizeram parceria com os “sem-terra”. Elas dizem que oferecem seus cursos a valores acima do preço de custo, mas com margem de lucro reduzida. “O que Marcos Zerbini faz é corretagem de aluno”, diz um reitor participante do convênio. “O volume de estudantes da associação é tão grande que as faculdades aceitam negociar condições especiais.” Funcionários das faculdades afirmam que descontos dessa magnitude são inatingíveis para quem não se matricula como sem-terra. “É um bom negócio para as universidades porque elas têm vagas ociosas e nossos alunos ajudam a ocupá-las”, diz Zerbini. De acordo com o Censo de Educação Superior de 2008, há no Brasil 1,4 milhão de carteiras universitárias não preenchidas. Além de aumentar sua clientela (“80% dos nossos alunos vêm da associação”, disse um dos funcionários da UMC enquanto eu fazia a matrícula), muitas faculdades têm pleiteado isenções fiscais com a justificativa de que prestam serviço social ao oferecer bolsas de estudos para sem-terra. O movimento dos sem-faculdade é a maior fonte de dinheiro da associação, registrada na Receita Federal como uma instituição sem fins lucrativos. Se cada um dos 70 mil universitários pagasse suas taxas de associado, a associação arrecadaria R$ 6 milhões por ano. Segundo Zerbini, a inadimplência faz a arrecadação cair para R$ 3 milhões anuais.

Desde 1986, a associação já ajudou 17.500 famílias a comprar terrenos para construir casa. São cerca de 100 mil pessoas instaladas em 26 áreas na região metropolitana de São Paulo.

Em vez de invadir áreas, o movimento compra grandes terrenos, divide em lotes de 80 metros quadrados e os revende aos associados. Cada comprador deve construir a casa em que vai morar com recursos próprios. Não há padrão predefinido para as obras. Esse modelo é questionado pelo Ministério Público de São Paulo. Mais de 15 anos depois de construir suas casas, a maior parte dos assentados nunca conseguiu regularizar a situação do imóvel. “Eu e meus vizinhos não temos escritura. Fomos nós que colocamos asfalto aqui, os postes de energia, a placa da rua”, diz Valdemir Teixeira Lima, morador de uma das áreas criadas pela associação, no Jaraguá, em São Paulo. Os associados dizem que tão logo as áreas eram compradas, o povo se instalava, sem esperar pelas autorizações legais. “Não se fazia nem um trabalho de terraplenagem. Em alguns lugares, houve desmoronamentos. E não se podia cobrar nada da prefeitura porque as ocupações eram irregulares”, diz um arquiteto que trabalhou para a associação. A ATST foi processada pelo MP por ter criado loteamentos clandestinos. Acabou fazendo acordos para regularizar a situação. Em 2004, o MP investigou também a denúncia de que a associação assentava a população na reserva ambiental do Parque Estadual do Jaraguá. Embora registre que árvores foram indevidamente cortadas e que a área não poderia ser transformada em bairro, o processo foi arquivado.

A parceria da associação com as faculdades surgiu em um momento em que a fiscalização sobre a ocupação de terras na periferia de São Paulo se intensificou e novas áreas vazias se tornaram mais raras. O deputado Marcos Zerbini diz ter sido procurado em 2004 por um grupo de jovens interessado em cursar o ensino superior. “Como não havia jeito de criarmos nossa própria universidade, fui negociar descontos com as faculdades”, diz. De acordo com ele, como a empreitada foi bem-sucedida, no semestre seguinte uma enxurrada de vestibulandos invadiu a sede da associação. Zerbini diz ter sido impelido a criar uma estrutura robusta para dar conta da demanda. “Desde que conheci o Zerbini, há quase 20 anos, procuro pela cidade um outro organizador social como ele e nunca encontrei”, afirma Alberto Goldman, vice-governador de São Paulo. “Na década de 1990 ele conseguia fazer mais habitação do que qualquer órgão do Estado. Agora parece ir no mesmo rumo com as faculdades.


PASSAPORTE
Universitários disputam selo de presença em evento no Vale do Anhangabaú. O selo é exigido para manutenção do desconto na faculdade


A associação de “sem-terra” que dá desconto em faculdade também tem uma faceta religiosa. Com o crescimento da entidade, Zerbini alugou dois galpões industriais para acomodar a multidão juvenil e tornou-se um pregador do movimento católico italiano Comunhão e Libertação. Na Itália, essa ala católica é conhecida por seu conservadorismo e por apoiar o primeiro-ministro Silvio Berlusconi. “No Brasil, ao longo de 30 anos a Comunhão e Libertação viveu restrita ao ambiente acadêmico”, diz o padre Vando Valentino, um dos representantes da ala religiosa no país. “Até que em 2005 encontramos esse movimento de sem-terra, que também começava um movimento nas faculdades. Com eles, estamos ganhando força na periferia.” Hoje, Zerbini ocupa parte de seus fins de semana em uma sucessão de palestras catequizantes para os universitários associados.


PODER
O deputado Zerbini (à dir.) com Andrea Matarazzo, ex-secretário municipal de São Paulo. A capacidade de mobilização confere prestígio a Zerbini no PSDB


Durante os meses em que fui uma associada, fui a três reuniões comandadas por Zerbini. Em cada uma delas recebi um selo de presença. Às 7 horas da manhã de sábado, acomodados em um galpão, eu e mais cerca de 600 jovens ouvíamos a pregação de Zerbini e entoávamos músicas católicas em italiano canhestro. O coral era uma preparação para a visita ao Brasil do padre Julián Carron, líder mundial da Comunhão e Libertação. O evento, no Vale do Anhangabaú, em setembro, mobilizou cerca de 40 mil pessoas, segundo a associação. Elas pareciam menos preocupadas em alcançar a redenção espiritual do que em conquistar um selinho de comparecimento em sua carteirinha de “sem-terra”, condição para a manutenção do desconto na faculdade. Trocando presenças por desconto, Zerbini arrebanha multidões.Todos os eventos propostos por ele são sucesso de público. Quadros do partido afirmam que ele é o único a conseguir mobilização popular como essa no PSDB.

Zerbini tem a fala serena e a retórica bem construída de quem um dia cogitou tornar-se padre, mas acabou enveredando pela política. Aos 47 anos, casado com Cleuza Ramos, dirigente da associação, ele está no auge de sua carreira de líder social e político. Nos anos 80, Zerbini era uma das muitas lideranças de moradia do PT, militante em Comunidades Eclesiais de Base. Formou-se advogado pela USP apenas porque desejava entender das leis que regem o setor imobiliário. Diz que nunca nutriu intenções eleitorais enquanto esteve no PT. E dificilmente poderia tê-las. Para o perfil de líder comunitário que Zerbini construía, o mercado de votos dos eleitores petistas estava saturado. Depois de uma passagem pelo PMDB, em 1998, Zerbini ingressou no PSDB. “O governador Mário Covas se impressionou e se entusiasmou muito com ele”, diz Goldman. Covas e Zerbini se conheceram em um embate. Zerbini era o líder de uma manifestação de 3.500 pessoas que marchou do Estádio do Morumbi ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo. Covas era o alvo dos protestos. Ele abriu os portões do Palácio aos manifestantes, respondeu aos pedidos da associação e ganhou um aliado fiel. No atual gabinete de Zerbini, retratos de Covas ocupam bom espaço em duas paredes. As fotos da família de Zerbini estão em discretos porta-retratos.


Zerbini emprega funcionários da associação em seu gabinete na Assembleia Legislativa


CASA E DIPLOMA
No alto, um bairro construído pela associação de Zerbini na Zona Oeste de São Paulo. Acima, universitários “sem-terra” na saída de uma pregação de Zerbini em um galpão da entidade


O alcance do MST tucano
Criado há 23 anos pelo deputado Marcos Zerbini e outras lideranças do movimento de moradia, a Associação dos Trabalhadores Sem-Terra de São Paulo (ATST) já atendeu cerca de 170 mil pessoas




Com a legenda do PSDB, Zerbini se elegeu duas vezes vereador em São Paulo, antes de exercer o mandato de deputado estadual. É descrito por colegas como um parlamentar de atuação pouco expressiva e de rara aparição no plenário. Quando aparece, Zerbini chama mais atenção pelas camisetas e calças jeans que costuma vestir, em desacordo com a liturgia do cargo, do que por suas propostas. Em quase quatro anos como deputado estadual, Zerbini apresentou apenas quatro projetos de lei. Como integrante da Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de São Paulo, ele faltou a metade das reuniões do grupo no ano passado. Quando era vereador, foi acusado de nepotismo depois de empregar em seu gabinete as duas enteadas. Atualmente, dos 15 funcionários empregados em seu gabinete mais da metade é ligada aos “sem-terra”. Ao menos quatro deles atuam como pedreiros e vigias encarregados de serviços gerais nas áreas construídas pela ATST. Segundo moradores das áreas, esses funcionários têm intensa atividade junto ao “MST tucano”, mas desconhece-se que tenham qualquer atividade parlamentar. Zerbini defende-se dizendo que a lei lhe confere direito de empregar funcionários em seu escritório político fora da Assembleia Legislativa e que a associação equivaleria a isso.

“Durante o mandato o Zerbini tem pouca importância política, está sempre às voltas com os problemas da associação”, diz um integrante do PSDB. “Sua importância cresce em ano eleitoral. Ele é capaz de mobilizar muito voto. Os políticos que ele apoia costumam se eleger.” Na última eleição, Zerbini obteve 94 mil votos, quase todos da Zona Oeste de São Paulo, onde ficam os bairros construídos por sua associação e a sede do movimento dos sem-faculdade. “Ali ele é quase Deus. Tem 70% dos votos da região e sua campanha é simples, só panfletos e banners”, diz Goldman. “Propusemos que ele se lançasse como deputado federal, mas ele quer ficar perto do seu povo. É o mais certo dos nossos candidatos.”

A dinâmica da associação vai permitir a Zerbini anos eleitorais cada vez mais seguros. A maior parte dos que, como eu, se tornam sem-terra e entram na universidade permanecerá ligada à associação por pelo menos quatro anos, o período de duração de um curso de graduação. Ao longo desse tempo, pagarão as taxas da associação e frequentarão mensalmente a reunião de catequese em que Zerbini, além de pregar, distribui folhetos com suas benfeitorias políticas na região. Pregação e política dão o tom do “MST tucano”. Durante o evento no Vale do Anhangabaú, antes que o padre Carrón irrompesse no palco com suas canções em italiano, o ex-secretário de Subprefeituras de São Paulo Andrea Matarazzo aproveitou para discursar e chamou a multidão de “Sem Terra do Bem”. Com esse tipo de discurso, os “sem-terra” de Zerbini têm conseguido doações na Europa e cada vez mais adeptos no Brasil.

24 janeiro 2010

HANSENÍASE

"Deslocado" - acrílica sobre tela e madeira de Francisco Panachão


Uma das doenças mais antigas da humanidade, a hanseníase ou lepra (expressão que as pessoas até evitam usar) tem cura desde a década de 40, época em que as pessoas eram isoladas em colônias, mesmo contra a vontade.

O medicamento necessário ao tratamento é distribuído gratuitamente pela ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE - OMS desde os anos 90, mas no Brasil, infelizmente, pacientes ainda reclamam a falta do remédio, em razão da burocracia alfandegária e por causa da subnotificação, o que é absurdo.

ARTUR CUSTÓDIO, coordenador do MOHRAN, diz:

"Percorremos o pais conversando com as pessoas e sabemos que, mesmo sendo obrigados a notificar todos os casos, que alguns médicos não cumprem, o que faz com que remédios faltem especialmente no interior. Além disso, em estados do Sul, o tratamento que deveria levar no máximo um ano, leva 36 meses porque os pacientes acham que assim ficarão mais curados.

NEY MATOGROSSO foi convidado pelo MOVIMENTO DE REINTEGRAÇÃO DAS PESSOAS ATINGIDAS PELA HANSENÍASE - MOHRAN no curso do ano de 2000, e ficou surpreso:

- Achava que a hanseníase não existia mais. Conhecia a doença porque minha mãe criou uma menina vinda de um leprosário, mas não imaginava que o Brasil ainda tivesse algum caso - afirma o artista, que desde então, numa atitude nobre, faz campanha de esclarecimento em todo o país.

Segundo a OMS, o Brasil chegou ao final do ano de 2008 com 39 mil casos de hanseníase diagnosticados, o que o deixa atrás apenas da Índia, responsável por 54% de todos os 249 mil casos registrados no mundo. Mas o país se torna o líder do ranking se a conta for feita com base na taxa de prevalência da doença: com uma população de 190 milhões de habitantes, o Brasil tinha em 2007 uma taxa de 21,94 casos para cada 100 mil habitantes. Pior que isso é que, ainda segundo a OMS, o Brasil é líder no registro de novos casos: só em 2006 foram 44,4 mil dos 47,6 mil diagnosticados em 51 países. Como se isso não bastasse, o Brasil é um dos três países, ao lado do Nepal e do Timor Leste, que não conseguiram cumprir a meta, firmada em 1991, de ter um caso da doença para cada 10 mil habitantes até o ano de 2005.

O preconceito bate forte em quem é atingido pela enfermidade.

Afastado da família, Antônio de Paula Veras, com 42 anos de idade, chegou ainda menino na Colônia do Carpina - PI (tinha apenas 12 anos), onde mora até hoje, levado pela avó, em 1968. Ela disse que ia comprar comida e nunca mais voltou. Mas o caso de Antônio não é o único.

Maria Rosa Zequeiros, agora com 64 anos, mais conhecida como Rosita, até tentou se adaptar fora da Colônia Curupaiti - RJ, e passou 6 anos no Espírito Santo.

- Quando me perguntavam por que minhas mãos e pés eram atrofiados, eu falava a verdade, e as pessoas ficavam apavoradas. Vi que ia ter que mentir, e preferi voltar. Ela chegou a casar, mas sequer teve a chance de conviver com os filhos.

- Bastava nascer para serem levados embora. Os meus ficaram com a mãe do meu marido, que não deixava que nos falássemos. Faz cinco anos que retomamos o contato.

Por que tanto sofrimento, dor e preconceito com uma doença que TEM CURA desde a década de 90? Onde estão os responsáveis por tanta omissão?

23 janeiro 2010

Narciso e o general

Soldado brasileiro socorre menino haitiano


Há dias autoridades brasileiras vêm demonstrando um certo desconforto com o que chamam de "liderança" nas ações de socorro ao povo do HAITI, país destroçado por um terremoto, que segundo as informações mais atualizadas, teria matado cerca de 120 mil pessoas. Essa situação ficou bem caracterizada na reportagem de O GLOBO (17/01 - pág. 31), onde se lê que "o ministro do Gabinete de Segurança Institucional Jorge Félix, e o Itamaraty enfatizaram que a prioridade no momento é salvar vidas. Mas deram sinais de que existe no governo uma preocupação velada com a perda de liderança para os Estados Unidos e o risco de um duplo comando".

Hoje, 23 de janeiro, o mesmo O GLOBO destacou (pág. 27):

"No dia em que as tropas brasileiras fizeram sua maior ação humanitária desde o terremoto no Haiti, o general Floriano Peixoto, chefe militar da Minustah, disse que a atividade tinha como objetivo mostrar ao restante do mundo a presença do Brasil na área e, ainda, que quem está no comando de toda a missão militar e humanitária no Haiti é "um general brasileiro".

- É importante que haja uma percepção mundial da importância do Brasil - disse Floriano Peixoto".

Em um outro trecho da reportagem O GLOBO registra: "Ao contrário do coronel João Batista Bernardes, chefe das forças militares no Haiti, que procurou minimizar a política na ação de ontem, o general Floriano Peixoto foi direto ao ponto:

- É uma forma de marcar presença. Não podemos perder a oportunidade de mostrar o comando do Brasil nesta lamentável tragédia.

E reforçou a importância:

- Quem está no comando é o general Floriano Peixoto - afirmou, referindo-se a si mesmo na terceira pessoa, seguindo num misto de desculpas a autopropaganda: - Não tendo tido muita visibilidade porque estou envolvido no trabalho de articulação".

Eu achei, desde o início, que o objetivo das equipes de socorro que partiram para o Haiti, e das forças da ONU que lá estão, dignamente representadas pelo Brasil, diga-se de passagem, fosse, num primeiro e dramático momento, socorrer as vítimas da catástrofe, e depois, obviamente em parceria com o governo local, tentar reerguer o país. Mas parece que a coisa não é bem essa, já que no meio do socorro há uma visível preocupação, pelo menos por parte do general Floriano Peixoto, de como o Brasil "vai sair na foto" do bonde da história.

É uma pena! O Brasil, por causa do narcisismo de um general, está perdendo uma grande oportunidade, isto sim, de provar ao mundo que a solidariedade não tem preço nem bandeira, e que quem a pratica não precisa de reconhecimento, pois lhe basta a consciência do dever cumprido, e claro, tão importante quanto isso, o choro agradecido das vítimas arrancadas com vida dos escombros de tão triste acontecimento.

Na verdade, general, os heróis dessa missão são os soldados brasileiros e dos outros países também envolvidos na missão de socorro ao povo haitiano, que não comandam nem se preocupam com a repercussão de seus atos de bravura pelo mundo: apenas salvam vidas, e como se vê da foto que ilustra esta postagem, anonimamente! Com certeza, general, você perdeu uma enorme oportunidade de ficar calado!...

22 janeiro 2010

Uma questão de educação

Na reunião ministerial de ontem, numa fala de apenas 15 minutos, o nosso Presidente mandou recados, falou sobre eleições, e o que está se tornando uma rotina, também disse coisa feia quando se referiu ao presidente do PSDB:


"Esse babaca do Sérgio Guerra não sabe o que está falando quando diz que nada acontece de bom no Brasil".


Logo depois, certamente esquecido do que acabara de dizer ou porque não sabe aquilatar o que efetivamente diz, ou ambas as apções, sei lá, o nosso pretenso futuro estadista acrescentou:


"Espero que a eleição não seja de baixo nível. Mas pode ser que seja, porque a oposição está sem discurso. E eu sei o que é ser candidato sem discurso".


Um Presidente da República não pode dar tratamento desse nível a ninguém, sobretudo a um dirigente de partido político, ainda que de oposição. Afinal, ele estava numa reunião ministerial ou num botequim? Fica difícil esperar "que a eleição não seja de baixo nível" depois desse "babaca", não é verdade?

Ouvido sobre o assunto, SÉRGIO GUERRA disse:


"Em respeito ao presidente da República do Brasil não darei a resposta que ele merece e que eu gostaria de dar".


Que diferença, não? É tudo uma questão de educação!

20 janeiro 2010

O PROTESTO DA MINEIRA ANTÔNIA MACIEL

A defesa do meio ambiente não se faz apenas através de protestos radicais, principalmente quando seu objetivo é conscientizar o cidadão sobre a necessidade de se preservar o Planeta.

Assim, não acho que vamos abandonar uma de nossas bandeiras, a defesa do meio ambiente, se a mensagem de alerta for passada na forma de um poema, melhor dizendo, de um poema de rara beleza.

Por isso, fui buscar na obra UNIVERSOS DE ANTÔNIA e aqui transcrevo o brado de oposição da mineira MARIA ANTONIA MACIEL contra o projeto de transposição das águas do RIO SÃO FRANCISCO!



NAS TRILHAS DO CHICO

Da divina inspiração,
Nos dias da criação,
Ganhaste leito e beleza.
Sai de São Roque de Minas,
Corta montanhas, campinas,
Em majestade e grandeza.

Do Chapadão do Zagaia,
Nascente procura a raia
Cortando nossos sertões.
Dois olhos d’água somente
Se juntam, fazem correntes,
Cascatas e ribeirões.

Teu curso é bastante antigo.
Serpenteias, velho amigo,
Alheio às transposições.
Serra Canastra mineira,
Tua nascente altaneira,
Já ouve as lamentações.

Opará, índio sabia
Cuidar da tua alegria,
Mas o branco vem traçar,
Desenho de insanidade,
Teu curso sem liberdade,
Sem nada justificar.

Diz a voz da consciência:
No agreste falta é gerência
Para a gestão dos recursos.
Não há que transpor as águas,
Velho Chico, noutras plagas,
É sofisma dos discursos.

Atrevimento, ousadia,
Vil interesse, utopia,
Comércio dos marginais.
Comprem votos, dividendos,
Mas deixem o Chico correndo
Nos leitos originais.


ANTONIA MACIEL está no ORKUT!

OLHA ELES AÍ DE NOVO, GENTE!!!

Foto: reprodução TV GLOBO


No dia 09 de dezembro de 2007 postei o texto abaixo em um outro blog que mantinha à época. A única coisa que mudou de lá prá cá foi a foto da postagem, que substitui por uma mais recente, de uma das cheias que vêm assolando a BAIXADA FLUMINENSE (essa foi no município de Duque de Caxias) quase que diariamente em tempos de verão.

Escrevi naquela ocasião:

- o - o - o -

"Resolvi comentar o assunto porque nasci em Volta Redonda – RJ, mas aos 05 (cinco) anos de idade vim para Nilópolis – RJ, onde cresci, e hoje tenho residência e local de trabalho fixados em Nova Iguaçu – RJ, razão pela qual posso afirmar que sou um legítimo representante da Baixada Fluminense, sem interesses políticos, é importante frisar.


Em época de eleições, nossos municípios são invadidos por políticos de todos os Partidos, vindos de todos os cantos do Estado, candidatos que são a um cargo eletivo na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – RJ, na Câmara dos Deputados e até no Senado Federal! É verdade, ajudamos a eleger até Senadores da República!

Passadas as eleições, o que fazem referidos candidatos, agora detentores de um mandato? Simplesmente desaparecem!!!

O povo da Baixada Fluminense já se habituou a isso, e até participa do sistema, já que vota em quem não conhece, quase sempre em troca de uma cesta básica, uma ligadura de trompa, ou mesmo um tapinha nas costas! A bem da verdade, merecem-se, eleitos e eleitores!

Prá não perder muito tempo em opiniões pessoais, que podem ser mal interpretadas, repasso aos leitores do blog, para análise e conclusões, o artigo assinado por MÔNICA PINTO em 06 de dezembro último, no AMBIENTE BRASIL, um portal focado em Meio Ambiente.

Eis a íntegra do texto:

“Miséria e abandono transformaram Reserva Biológica do Tinguá, na Baixada Fluminense (RJ), num barril de pólvora. Em fevereiro de 2005, o caçador Leonardo de Carvalho Marques, 23, matou com um tiro de escopeta o ambientalista Dionísio Júlio Ribeiro Filho, que militava em defesa da Reserva Biológica do Tinguá, unidade de conservação federal em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ).

Na ocasião, o crime alcançou repercussão mundial. Uniu-se a covardia com que foi praticado - Leonardo, réu confesso, atirou nas costas da vítima -, ao fato de Seu Júlio, como Dionísio era conhecido na região, ser pessoa muito querida pela comunidade do entorno da Rebio, da qual tinha sido um dos fundadores, em 1988.

A expectativa de amigos e admiradores era que sua morte despertasse a atenção dos poderes públicos para os problemas que então se observava na Reserva, entre eles a fragilidade na segurança oferecida aos que lutam pelo respeito às leis ambientais.

Passado este tempo, porém, as preocupações continuam as mesmas. "Sem a presença efetiva do Estado com políticas de gestão ambiental, outros ecologistas e até mesmo servidores dos órgãos ambientais, como os do Ibama que atuam no Tinguá, estão vulneráveis e correm risco de vida já que, ao denunciarem os crimes ambientais, ficam na alça de mira dos grandes grupos econômicos poluidores, de caçadores, palmiteiros e “donos” de areais clandestinos", disse ao AmbienteBrasil Sérgio Ricardo, membro do Fórum de Meio Ambiente e Qualidade de Vida do Povo Trabalhador da Zona Oeste e da Baía de Sepetiba.

Segundo ele, logo após o assassinato de Dionísio, a entidade encaminhou à Procuradoria Geral da República, ao Ministério Público Estadual, ao Ibama, ao Governo do Rio de Janeiro e às Prefeituras de municípios nas cercanias da Reserva uma lista com propostas de políticas públicas de baixo custo e de grande potencial de realização. Todas visavam reverter a consolidada situação de abandono da Rebio Tinguá.

A lógica a alinhavar as sugestões partia do princípio de que, num país desigual e injusto economicamente como o Brasil, para proteger o meio ambiente, seja em Nova Iguaçu ou na Amazônia, é fundamental buscar a participação direta das comunidades. No caso da Rebio Tinguá, encravada na Baixada Fluminense, local onde se concentra baixo poder aquisitivo e pouca qualificação profissional, os argumentos mostravam que tais políticas mais ainda teriam de vir pautadas no viés socioambiental. Em outras palavras, proteção à natureza associada diretamente a oportunidades de trabalho e melhor distribuição de renda.

"Para pessoas que estão em sua maioria desempregadas, muitas em situação de miséria e profunda exclusão social, até passando fome, acontece de a única fonte de renda ser a extração ilegal de palmito, a caça predatória ou o roubo de bromélias já em extinção", pondera Sérgio Ricardo.

No dia 14 passado, Leonardo Marques, o assassino do ambientalista Dionísio, foi morto a tiros no último no interior de um ônibus da empresa Elmar, que faz a linha Tinguá-Nova Iguaçu. De acordo com testemunhas, marginais anunciaram um assalto e o caçador foi alvejado quando tentava saltar do veículo. Policiais da 58ª DP (bairro da Posse) em Nova Iguaçu investigam o caso.

Leonardo teve o destino selado antes mesmo que a Justiça – notoriamente lenta no Brasil – chegasse a uma conclusão quanto ao recurso do Ministério Público procurando anular a sentença do julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Nova Iguaçu, que em 2006 absolveu o caçador. No veredicto a livra-lo da cadeia, os jurados alegaram "falta de provas", apesar de Leonardo ser réu confesso.

O mais assustador foi que, em seu depoimento logo após o crime, ele deu o tom da organização e – ao mesmo tempo – certeza de impunidade a movimentarem os crimes ambientais na região. Relatou que houve um churrasco organizado por palmiteiros e caçadores em Tinguá, onde tramou-se a morte do ambientalista Dionísio. No evento, disse ele, uma "caixinha" foi organizada pelos criminosos para comprar a arma e contratar o atirador que faria o serviço. A morte de outros nove ecologistas teria sido decidida. Dionísio encabeçava a relação.


Impasses

Tais fatos não chegaram a mover as autoridades na direção de soluções de ordem prática. Ao contrário, poucos meses após a morte do ambientalista, foi extinta a Brigada de Incêndio que operava na Reserva, sob a alegação de que faltavam ao Ibama/RJ recursos financeiros para sua manutenção, os quais deveriam ser repassados pelo Ministério do Meio Ambiente.

Uma audiência pública na Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal, em 2005, tentou debater os vários problemas da Rebio, mas, novamente, os discursos caíram no vazio.

A Petrobras, que à época do crime acenou com a possibilidade de "adotar" a unidade de conservação, posto que vários oleodutos da empresa a atravessam, também não transcendeu o terreno das boas intenções.

As Prefeituras, o Ibama e o Governo do Estado deveriam estar investindo em reflorestamento, na recuperação das áreas degradadas e na recomposição das matas ciliares, já que o Tinguá funciona como um estratégico manancial de água limpa da Região Metropolitana, diz Sérgio Ricardo.

Segundo ele, o entorno da reserva está se transformando num pólo de ecoturismo, que tende a se ampliar e gerar opções de trabalho. "Porém, isso está ocorrendo sem que a região e as comunidades mais pobres tenham acesso ao saneamento e à coleta seletiva de lixo", ressalva.

Ele aponta outro retrato da disparidade reinante: a Cedae – companhia de abastecimento de água do Rio de Janeiro – faz captação nos mananciais dentro da Rebio. Contudo, milhares de pessoas que vivem em seu entorno ainda hoje não dispõem de água potável”.

Como se pode ver, esse é o retrato do descaso político com a Baixada Fluminense, que apesar de tudo, está no mesmo lugar, linda como sempre, à espera de novas eleições e visitantes ilustres à procura de votos!!!"

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De lá prá cá, nada mudou! Estamos às vésperas de outra eleição, e os novos postulantes aos cargos de "defensores dos interesses do povo fluminense" vão começar a bater em nossas portas, a apertar nossas mãos e beijar nossas crianças. Estamos diante de mais uma oportunidade de resposta aos políticos farsantes! Se é verdade que nem sempre há defesa contra a ação da Natureza, não menos verdadeiro é, também, que a dor da perda de entes queridos e os prejuízos materiais sofridos a cada dia, poderiam ser evitados com a simples dragagem de um rio, o desentupimento de bueiros e uma fiscalização capaz de evitar o erguimento de construções em áreas de risco, responsabilidade de muitos que aí estão chegando prá pedir o seu, o meu, o nosso voto. Se liga, cidadão da BAIXADA FLUMINENSE...