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13 setembro 2009

PORTO DA PALAFITA DA CARRASQUEIRA

PORTUGAL sempre atraiu minha atenção, por sua beleza natural e seu povo trabalhador, sem falar, é claro, nas ligações históricas que aquela terra tem com o BRASIL.

Sou usuário do site OLHARES, onde faço a postagem de imagens que estou aprendendo a "clikar pela aí" (é só conferir). Foi lá que conheci, virtualmente, é claro, um fotógrafo de mão cheia: o BRUNO M. R. ALVES. A foto e o texto abaixo são trabalhos dele e retratam um pouco da história da gente portuguesa. Achei muito interessante e por isso trouxe tudo prá cá. Quem quiser conferir o original é só clicar aqui.




"A Carrasqueira é uma aldeia do Concelho de Alcácer do Sal e localiza-se na Reserva Natural do Estuário do Sado… um dos seus pontos de interesse é o seu Cais Palafita e esta é a história que poucas pessoas conhecem e que teve início há algumas décadas atrás…


Os habitantes da aldeia da Carrasqueira dividem a labuta diária entre a faina do mar e o amanho da terra. A primeira pesca foi a apanha de amêijoas de cabeça (que eram vendidas a pessoas que se deslocavam à aldeia e aí as compravam). Nesses tempos não haviam balanças, pelo que eram utilizadas latas de meia arroba para servir de medida.

Depois as pessoas começaram a comprar ostras. Foi esta pesca que trouxe um grande desenvolvimento à Carrasqueira. Pelo que houve a necessidade de arranjar condições para acolher o crescente número de pescadores e respectivas embarcações.

E para que a pesca fosse possível, importava criar um acesso à água que não ficasse condicionado ao vai e vem das marés. É que, em situação de maré cheia a água atingia e às vezes galgava o “muro de maré” que defendia os terrenos agrícolas, para depois recuar na maré vazia algumas dezenas, senão centenas, de metros, entrepondo uma barreira de lodo entre a terra e a água.

Assim, escolhida que foi a melhor localização, no final de uma vala de drenagem dos terrenos agrícolas, dois pescadores lembraram-se de espetar uma estaca na borda do muro e puseram umas tábuas por cima para passarem. Os pescadores foram-se assim juntando dois a dois, constituiriam o seu bocado, espetavam mais estacas adiante do que estava e punham tábuas por cima, sendo que cada pescador atracava os barcos no seu lado. Este foi um processo evolutivo que prolongou o emaranhado de estacas e tábuas por centenas de metros.

Isto passou-se nos anos 50/60 e os pescadores eram poucos então. Reconhecendo no Estuário um manancial de riqueza tão próximo, as populações locais foram evoluindo no seu aproveitamento, abraçando cada vez mais a pesca como actividade mais lucrativa, mas sem abandonarem por completo a agricultura (a agricultura era a actividade dominante, enquanto a pesca inicialmente não era mais do que um complemento dos parcos rendimentos que a agricultura de latifúndio permitia aos trabalhadores).

E assim nasce o Cais Palafita da Carrasqueira, que é hoje um dos locais mais visitados do concelho de Alcácer".