DANDO PITACOS

A expressão “PITACO” não aparece nos dicionários tradicionais, mas é frequentemente utilizada como uma espécie de “opinião não solicitada”. Esse é o nosso objetivo! Vamos falar de política, educação, saúde, meio ambiente, questões indígenas, comportamento, esportes e muito mais! Nosso objetivo é a discussão de assuntos de interesse geral, iniciativa que pode não gerar mudanças, mas que nos deixará a certeza de que tentamos produzi-las!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

MAIS UMA DO GORILA BOLIVARIANO

Sustentando o agravamento da seca, HUGO CHÁVEZ decretou emergência elétrica na Venezuela por 02 (dois) meses, anunciando punições aos que ele chama de "esbanjadores".

"Se declara o estado de emergência sobre a prestação do serviço elétrico nacional e suas instalações e bens associados por um período de 60 dias prorrogáveis", afirma o decreto 7.228, lido pelo próprio CHÁVEZ antes da assinatura, em cerimônia que foi transmitida pela televisão. O decreto autoriza o ministério de Energia Eléctrica a decidir de maneira excepcional as medidas especiais que considera pertinentes para garantir à população o fornecimento de energia elétrica.

Assim, o Executivo terá o poder de autorizar a compra de energia elétrica de fornecedores nacionais ou estrangeiros para suprir a demanda do país, além de contratar de maneira direta funcionários terceirizados, sem a necessidade de uma licitação pública, como obriga a lei fora do estado de emergência.

Como já frisei acima, CHÁVEZ alega que o que motivou sua iniciativa é a seca que afeta o país, mas não fez qualquer menção a um sistema elétrico em colapso peorque não recebeu os investimentos necessários, mais ou menos como vem ocorrendo aqui no Brasil. Varrendo prá debaixo do tapete suas próprias limitações administrativas, advertiu que vai punir os clientes residenciais e comerciais do país que não reduzirem o consumo de energia elétrica, com sanções que vão de multas nas contas até o corte por tempo indeterminado do serviço.

"Todos aqueles altos consumidores (residenciais) que não reduzirem a partir de hoje o consumo em no mínimo 10% receberão uma multa na conta mensal de 75% sobre o que pagam", anunciou CHÁVEZ. "Para aqueles que aumentarem o consumo em 10% ou mais, será aplicada uma taxa de 100%. Se você aumentar acima de 20%, a conta residencia vai subir 200%", completou.

O governo da Venezuela considera alto consumidor residencial a casa que demanda mais de 500 quilowatt-hora (Kwh) ao mês. A medida, segundo CHÁVEZ, tem um "aspecto positivo" e pretende motivar os usuários. "Se você reduzir entre 10% e 20%, vai receber um desconto de 25%, e se a redução chegar a 20% ou mais se deconta 50% da fatura", disse.

A medida também afeta os estabelecimentos comerciais que não reduzirem em um período de dois meses o "alto consumo" (superior a 25 quilovolt-ampere) em 20%.

"No primeiro descumprimento se notificará com um cartaz na entrada do estabelecimento. A reincidência será punida com a suspensão de 24 e 48 horas, e depois, no caso de reincidir, o corte será por tempo indefinido", alertou o presidente.


Prá fechar, deixo à sua reflexão a pergunta feita no blog do amigo RODRIGO CONSTANTINO:

"O caudilho venezuelano, que está afundando a Venezuela numa baita crise, já declarou que votaria em Dilma se fosse brasileiro. E você, prezado leitor, vai votar na mesma candidata do gorila "bolivariano"? A Venezuela socialista e, portanto, miserável e autoritária, representa o seu ideal de país?

Será que é preciso muito pensar prá responder?

NELSON MANDELA

Nesta mesma data, só que em 1994, NELSON MANDELA foi eleito o primeiro Presidente negro da África do Sul. Confira na WIKIPÉDIA.

"Nelson Rolihlahla Mandela (Mvezo, 18 de julho,
de 1918) é um advogado, ex-líder rebelde e ex-presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Principal representante do movimento anti-apartheid, como ativista, sabotador e guerrilheiro. Considerado pela maioria das pessoas um guerreiro em luta pela liberdade, era considerado pelo governo sul-africano um terrorista. Passou a infância na região de Thembu, antes de seguir carreira em Direito. Em 1990 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz, que foi recebido em 2002.

Como jovem estudante de direito, Mandela envolveu-se na oposição ao regime do Apartheid, que negava aos negros (maioria da população) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano (conhecido no Brasil pela sigla portuguesa, CNA, e em Portugal pela sigla inglesa, ANC) em 1942, e dois anos depois fundou com Walter Sisulu e Oliver Tambo (entre outros) uma organização mais dinâmica, a Liga Jovem do CNA/ANC.

Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos africânderes Partido Nacional apoiantes da política de segregação racial, Mandela tornou-se activo no CNA, tomando parte do Congresso do Povo (1955) que divulgou a Carta da Liberdade - documento contendo um programa fundamental para a causa antiapartheid.

Comprometido de início apenas com actos não violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville (21 de Março de 1960), quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, desarmados, matando 69 pessoas e ferindo 180 - e a subsequente ilegalidade do CNA e outros grupos antiapartheid.

Em 1961 tornou-se comandante do braço armado do CNA, o chamado Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação, ou MK) fundado por ele e outros. Mandela coordenou uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo, fazendo também planos para uma possível guerrilha se a sabotagem falhasse em acabar com o apartheid; também viajou em coleta de fundos para o MK, e criou condições para um treinamento e atuação paramilitar do grupo.

Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso e sentenciado a 5 anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 12 de junho de 1964 foi sentenciado novamente, dessa vez a prisão perpétua (apesar de ter escapado de uma pena de enforcamento), por planejar ações armadas, em particular sabotagem (o que Mandela admite) e conspiração para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega). No decorrer dos vinte e seis anos seguintes, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou bandeira de todas as campanhas e grupos antiapartheid ao redor do mundo.

Enquanto estava na prisão, Mandela enviou uma declaração para o CNA (e que viria a público em 10 de Junho de 1980) em que dizia: "Unam-se! Mobilizem-se! Lutem! Entre a bigorna que é a ação da massa unida e o martelo que é a luta armada devemos esmagar o apartheid!".

Recusando trocar uma liberdade condicional pela recusa em cessar o incentivo a luta armada (Fevereiro de 1985), Mandela continuou na prisão até Fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk. O CNA também foi tirado da ilegalidade.

Em 1993, com de Klerk, recebeu o Nobel da Paz, pelos esforços desenvolvidos no sentido de acabar com a segregação racial. Em Maio de 1994, tornou-se ele próprio o presidente da África do Sul, naquelas que foram as primeiras eleições multirraciais do país. Cercou-se, para governar, de personalidades do ANC, mas também de representantes de linhas políticas.

Nelson Mandela recebeu em 1989 o Prêmio Internacional Al-Gaddafi de Direitos Humanos. Ele e Frederik de Klerk dividiram o Nobel da Paz em 1993.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A SÁBIA NATUREZA

Este material me foi enviado por email por uma das pessoas que me ajudam no blog. Fiz algumas alterações para adaptar o texto, mas resolvi manter um registro contido no original: a crítica não é contra um um, mas contra a burrice, a estupidez, a incompetência, a imperícia e a imprudência.

Um avião AIRBUS 340-600, novinho em folha, o maior avião de transporte de passageiros já construído em todo o mundo, está estacionado à porta de um hangar, em TOULOUSE - FRANÇA.




Chega a tripulação árabe da ADAT - Abu Dhabi Aircraft Technologies para realizar testes preliminares no solo (ligação dos motores, por exemplo) antes da entrega da aeronave à ETIHAD AIRWAYS, de ABU DHABI. O avião é conduzido pelo taxi-way (área de circulação periférica) até à zona de descolagem.




Os quatro motores da aeronave foram ligados e elevados à poteência de decolagem, isto com o avião praticamente vazio. A tripulação, que não leu os manuais de operação, não tem idéia de como é leve um AIRBUS 340-600 vazio.




O alarme de descolagem disparou no cockpit porque os quatro propulsores estavam na poetência máxima. Os computadores de aviônica entenderam que estavam prestes a tentar uma decolagem, mas as configurações necessárias (flaps/slats, etc) não foram providenciadas.




Um dos tripulantes, tentando silenciar o alarme, decidiu desligar o sensor de proximidade do solo, procedimento que "enganou" o avião e o fez "pensar" que estava no ar!




Os computadores, então, libertaram automaticamente todos os travões e dispararam o avião. A tripulação da ADAT não fazia a menor ideia de que tudo isto é parte de um sistema de segurança para impedir que os pilotos aterrem o avião com os travões em funcionamento.




Nenhum dos sete tripulantes árabes teve a idéia de inverter a potência dos reactores da sua configuração máxima, e por isso a aeronave novinha em folha, no valor de 200 milhões de dólares, chocou-se em cheio com uma barreira de disparo, ficando inteiramente destruída.




Não há informações sobre feridos entre os tripupantes, e isto porque o assunto foi rapidamente abafado, tanto na FRANÇA como nos outros países.




E por que abafado? Porque a cobertura poderia ser considerada como insultuosa para os árabes muçulmanos.




Só agora as fotos começam a ser divulgadas, ainda que a "meia boca"!




Resumo da ópera:
Preço do AIRBUS 340-600: 200 milhões de dólares.
Custo da tripulação árabe incompetente: salários de 300 mil dólares por ano.
Custo do manual de operações que não foi lido: 300 dólares.
Choque do avião contra muro de retenção, com vitória do muro, é claro: não tem preço!


Com certeza, foi por isso que a Natureza lhes deu camelos!!!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

CRACK - A EPIDEMIA DA VEZ

A matéria está no portal do O GLOBO (infelizmente, só para assinantes).




"O crack, droga derivada da cocaína, está se tornando um flagelo nacional, espalhada pelo país em diferentes classes sociais e tomando até salas de aula, contam Catarina Alencastro e Odilon Rios em reportagem publicada pelo GLOBO neste domingo.




Em Maceió, a imagem dos santos despedaçados, num altar da escola estadual Benício Dantas, virou o símbolo da derrota dos professores na luta contra o tráfico de drogas. Invadida várias vezes, a escola já teve salas, pavilhões, corredores e banheiros destruídos e reconstruídos várias vezes. Há dois registros de tiroteio na escola, o ginásio de esportes virou uma cracolândia, e os alunos fumam maconha nas salas de aula. No turno da tarde, 25% dos estudantes desistiram de estudar na escola ano passado. Casos como esse são rotina em Maceió. Dados do Ministério Público Estadual indicam que 30% dos alunos das 120 escolas da rede pública estadual na capital alagoana, entre 10 e 20 anos, estão envolvidos com o tráfico ou viraram viciados.


Os dados oficiais mais recentes mostram que essa tragédia se repete em outras capitais e cidades brasileiras. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em sua última publicação, revelou um aumento na circulação do crack no Brasil. Em 2002, 200 quilos da droga foram apreendidos. Em 2007 - último dado disponível - foram 578 quilos apreendidos. O montante equivale a 81,7% do crack apreendido na América do Sul.



Em todo o país, os serviços de atendimento a dependentes químicos relatam que mais e mais pessoas, independentemente da classe social, vêm nos últimos anos procurando ajuda para se livrar do vício do crack. A droga já é a segunda maior causa de procura por atendimento nos centros do SUS especializados em abuso de álcool e drogas, o CAPS-AD. Nesses locais, o crack só perde para a bebida.



- A rede de tratamento em algumas regiões foi surpreendida pelo aumento da procura pelo tratamento (do crack), principalmente nas grandes cidades - constata Pedro Gabriel Delgado, coordenador do Programa de Saúde Mental do Ministério da Saúde.


No Rio, o Programa de Estudos e Assistência ao Uso Indevido de Drogas (Projad), ligado ao Instituto de Psiquiatria da UFRJ, tem dados preliminares de um estudo ainda não publicado. Nele, constata-se que, em março de 2007, só 15% dos entrevistados haviam experimentado o crack. Em junho de 2008, esse percentual subiu para 25%. O número de pessoas que tinha usado a droga nos últimos 30 dias em março de 2007 não chegava a 1%; em junho de 2008, eram 10%. A prefeitura do Rio estima que pelo menos 800 pessoas em situação de risco (moradores de rua, principalmente) são viciadas em crack.


Em Salvador, de 2006 a 2009, 5.618 novos usuários passaram a ser atendidos pelo Programa de Redução de Danos da Universidade Federal da Bahia, um dos principais centros de estudos sobre o assunto. O alvo da pesquisa foi a população de rua e se refere só aos que aceitaram começar um processo para abandonar o vício. Para se ter uma ideia do problema, em 2006, só 26% dos novos usuários de drogas atendidos eram consumidores de crack. Em 2009, a proporção pulou para 34%; em 2008, chegou a 37,8%. Já uma pesquisa de amostra realizada com pacientes internados por dependência química, em 2006, em Porto Alegre, revelou que 43% estavam ali por conta do crack.

Um dos motivos do aumento do consumo da droga é que muitos usuários de cocaína injetável migraram para o crack, após o boom da epidemia de HIV que surpreendeu esse grupo, diz o professor Félix Henrique Kessler, vice-diretor do Centro de Pesquisa em álcool e drogas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

- Quase todos os usuários de cocaina injetável migraram para o crack - diz.

Os dados oficiais mais recentes sobre o tema são de 2005 e dão conta de que pelo menos 380 mil brasileiros fumavam, regularmente, a pedra feita com o subproduto da cocaína. Para combater o problema, o Ministério da Saúde aposta em diversificar o tratamento. A abordagem de usuários nas ruas é uma das estratégias. A exemplo do que ocorre em Salvador, Rio e outras 12 capitais montarão consultórios de rua para atrair pacientes que resistem a procurar ajuda.

- Depois que se fica dependente de crack, é difícil sair. O melhor é não entrar nessa - alerta o professor Kessler".


Como se pode ver, o crack já uma epidemia, e o mais grave, uma epidemia que mata!!!

Não queria voltar ao assunto da menina JULIA LIRA, cujo desfile à frente da bateria da escola de samba UNIDOS DO VIRADOURO está comprometido pela intervenção do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente que entende que a função é "sensual demais para uma criança", mas a comparação é inevitável.

Enquanto órgãos governamentais e autoridades se preocupam com questões dessa natureza, milhares de jovens que sequer conhecem o potencial lesivo do crack estão morrendo nos becos sujos e calçadas das cidades brasileiras, o que está retratado nas fotos chocantes disponibilizadas pelo portal do O GLOBO.

O que estão esperando as autoridades brasileiras para atacar o problema com a urgência e ações objetivas necessárias? O que espera o governo federal, que está gastando milhões de reais em propaganda política, para esclarecer a população sobre os riscos da doença? Onde estão os órgãos de saúde do governo do Estado e da prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

FAZENDO ACONTECER, SEM HIPOCRISIA

Essa matéria foi postada no portal da revista ÉPOCA, em 10 de dezembro de 2009. Seu conteúdo, de grande apelo social, não ficou ultrapassado pelo correr do tempo, e eu me aproveito disso agora para fazer um comparativo entre ela e o tema da postagem "HIPOCRISIA OU FALTA DO QUE FAZER?".

Ao invés de se preocupar com o patrulhamento de crianças como JULIA LIRA, que só quer desfilar à frente da bateria de sua escola de samba do coração, a UNIDOS DO VIRADOURO, o Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente deveria se espelhar no projeto tema da reportagem, e aí sim, prestar um serviço às crianças das comunidades carentes de sua área de competência. Afinal, criança também tem direito a cidadania!


Leia com atenção:



O SOM QUE SALVA


Um projeto público na periferia de São Paulo ensina música clássica a milhares de crianças carentes

Kátia Mello




NA PERIFERIA
Máximo toca eufônio no CEU Navegantes, em São Paulo. Ele se exibiu na sala de concertos mais importante da cidade


Máximo Eduardo Tosta Mello, de 15 anos, subiu ao palco da Sala São Paulo - uma das melhores para concertos de música clássica no mundo - com as mãos suadas. Era 9 de novembro de 2008 e ele mal conseguia segurar seu eufônio - um instrumento de sopro pouco conhecido, semelhante a uma tuba. Máximo traduz seu som como “o mais aveludado e belo da orquestra”. Sozinho, ele tocou o “5º movimento de estudos folclóricos”, de Ralph Vaughan Williams. No final do solo, a sala foi tomada por emocionados aplausos. E Máximo chorou, exausto. “Foi a experiência mais marcante da minha vida”, diz.

Agora Máximo faz testes para ingressar na Banda Sinfônica do Estado. Ele é uma das promessas do programa Guri Santa Marcelina, que, em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, oferece formação musical a 7 mil alunos em 21 polos espalhados pela capital paulista, em geral nos Centros Educacionais Unificados (CEUs). Para dar aulas a esses meninos e meninas, foram contratados 190 professores. É o maior programa desse gênero nas metrópoles brasileiras. Para ter uma ideia, o respeitado Instituto Baccarelli, que surgiu há 13 anos com a mesma finalidade de levar a música instrumental às crianças carentes, hoje tem cerca de 500 alunos na comunidade de Heliópolis, em São Paulo. No próximo ano, o Guri Santa Marcelina deverá atingir mais 39 polos (28 escolas estaduais e dez CEUs, escolas municipais). Isso significa que serão 27 mil alunos com aulas gratuitas de música em 2010. O número é grande, mas o potencial de transformação dessa experiência na vida das crianças e dos adolescentes parece ainda maior.

O projeto de São Paulo é uma parceria entre o governo do Estado e as Irmãs Marcelinas (entidade religiosa que já participava da administração do governo José Serra na área de saúde). Ela existe desde dezembro de 2007. Agora, deverá servir como modelo para implementação das aulas obrigatórias de música nas redes municipal e estadual. Em 18 de agosto de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 11.769, que obriga as escolas a oferecer aulas de música no ensino fundamental e médio. As escolas têm três anos para se adaptar. O ensino musical em escolas públicas, porém, não é barato. Para o programa Guri Santa Marcelina, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo destinou R$ 15 milhões anuais pelo período de quatro anos. Parece muito dinheiro para um país carente investir em algo que aparentemente não é essencial. Mas o resultado é animador.

"Só me vejo fazendo isso”, diz Máximo. Tímido, ele olha para o chão ao falar. Conta que nas horas em que está em seu quarto senta-se na cama e escuta a música do maestro e compositor americano James Curnow. Em sua escrivaninha, ao lado da cama, estão partituras do inglês Philips Sparke. Máximo afirma que os amigos dizem que “ele é doido”. Ele começou a tocar eufônio aos 13 anos e até hoje seu pai custa a acreditar que o menino leva a música clássica a sério. “Minha família não me dá muito crédito”, diz. Órfão de mãe, ele vive com o pai e a madrasta. Meninos como ele trocam o campinho de futebol de terra batida por um quarto fechado, invadido apenas por acordes. Para esses músicos mirins, o gol é marcado quando uma peça de Chopin, de Beethoven ou de Schubert são bem executadas.


"Fazer música sensibiliza, proporciona raciocínio lógico, concentração, disciplina e memória", Paulo Zuben, músico e gerente do projeto


Outro destaque do projeto Guri é Fransuelen da Silva, de 11 anos. Se a previsão for confirmada, em alguns anos Fransuelen estará bem empregada em uma das principais orquestras do país. Fran, como é conhecida, toca clarinete e, em agosto deste ano, teve a chance de participar do 7º Festival Bourbon Street, em São Paulo, ao lado do trombonista americano Glen David Andrews e sua banda de Nova Orleans. Não há exagero em dizer que a música transformou a vida dessa garota e de sua família. “Eu era uma peste. Quebrava os copos de casa quando tinha raiva. Também achava que estudar era chato.” Hoje, apaixonada pela música, Fran diz que se tornou aluna exemplar. “Estudar exige dedicação. Mas eu vou me formar em música”, afirma.

A mãe de Fran, Sandra de Souza Silva, de 48 anos, empregada doméstica, relata como a música interferiu na rotina familiar. Antes temia que suas crianças passassem o dia na rua, mas hoje sai sossegada para trabalhar às 4 da manhã. “Sei onde encontrá-las”, diz. A escola de música tornou-se um segundo lar para Fran e seus dois irmãos, Marlon, de 13 anos, que toca trompete, e Júnior, de 15, que toca eufônio. “Eles não faltam um dia na aula e isso me tranquiliza. O Cantinho do Céu é muito perigoso. As crianças vendem drogas aqui na frente de casa”, diz. O Cantinho do Céu é um dos bairros mais violentos da periferia paulistana. Fica no distrito do Grajaú, no extremo sul da capital. No caminho para a escola, Fran, seus irmãos e outras crianças do programa veem crianças levando e trazendo drogas - os chamados “aviõezinhos” dos traficantes. As ruas do bairro são esburacadas, há esgoto a céu aberto, faltam segurança e, principalmente, esperança. Quando conseguem emprestados instrumentos da escola, festa em casa. Na escadaria de azulejo da sala de Fran, em minutos forma-se uma pequena banda. Na casa dos Silvas, ouve-se música clássica.


BANDA CASEIRA
Fransuelen (de blusa vermelha) com seu clarinete ao lado dos irmãos Júnior (de camisa bege), Marlon (de preto), Suelen e a mãe, Sandra, em casa, no bairro Cantinho do Céu, em São Paulo