Já escrevi aqui sobre as críticas que surgem na Internet quando alguém utiliza trabalho de terceiros. Deixei claro concordar “que tais atitudes não são corretas”, mas fiz uma exceção: não vejo nada de errado em copiar e divulgar o que é bom, desde que com a autorização do autor e os créditos necessários. Aliás, se o conteúdo da grande rede melhora, o lucro é de todos, e os escritos de qualidade são um começo. É o caso do texto logo aí abaixo, que me foi enviado pela amiga AnaKris e publicado no último dia 11 pela revista Época. Quem o assina é a premiada jornalista, escritora e documentarista Eliane Brum, de quem solicitei e recebi autorização para esse post.
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| Eliane Brum Jornalista e escritora |
"Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
