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19 julho 2011

Meu filho, você não merece nada

Já escrevi aqui sobre as críticas que surgem na Internet quando alguém utiliza trabalho de terceiros. Deixei claro concordar “que tais atitudes não são corretas”, mas fiz uma exceção: não vejo nada de errado em copiar e divulgar o que é bom, desde que com a autorização do autor e os créditos necessários. Aliás, se o conteúdo da grande rede melhora, o lucro é de todos, e os escritos de qualidade são um começo. É o caso do texto logo aí abaixo, que me foi enviado pela amiga AnaKris e publicado no último dia 11 pela revista Época. Quem o assina é a premiada jornalista, escritora e documentarista Eliane Brum, de quem solicitei e recebi autorização para esse post.

Eliane Brum
Jornalista e escritora
"Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.