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06 maio 2014

Retrato falado que induziu linchamento de mulher foi feito no Rio

Retrato falado que induziu linchamento (foto: reprodução)

A divulgação, em alguns casos até bem intencionada, de fatos e fotos pela internet, principalmente através das redes sociais, só deveria ser feita após uma pesquisa acerca da veracidade daquilo que retratam, o que nem sempre acontece. É muito comum, por exemplo, a circulação de fotos de crianças "desaparecidas" já entregues às suas famílias e de notícias infundadas, criadas não se sabe por quem ou com que objetivo. Um desses casos, com grave, absurda e lamentável consequência acaba de ocorrer e deveria servir de reflexão para todos quantos transitam pela grande rede. O retrato falado que seria de Fabiane Maria de Jesus, brutalmente linchada por moradores do Guarujá - SP, depois de uma postagem feita no perfil Guarujá Alerta, do Facebook, foi confeccionado por policiais da 21ª Delegacia de Polícia de Bonsucesso - RJ, em agosto do ano passado, quando uma mulher foi acusada de tentar roubar um bebê do colo da mãe em uma rua de Ramos, na Zona Norte do Rio.

05 maio 2014

Mulher é linchada e morta depois de confundida com foto postada no Facebook

Fabiane sendo carregada por populares (foto: reprodução)

O Brasil está se transformando cada vez mais em um país medieval, uma terra sem lei, onde manda quem grita mais alto, é mais forte ou atira primeiro. Os exemplos são muitos, mas o pior de tudo é que a maioria dos linchamentos públicos, tema que vamos abordar, sequer vira inquérito policial. Este ano, ao menos até aqui, a mídia já registrou 22 casos. No último sábado (03/05), a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, mãe de duas filhas, que morreu hoje (05/05), foi espancada por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo - SP em razão, acreditem, de um boato gerado por uma página de uma rede social que afirmava que ela sequestrava crianças para serem usadas em rituais de magia negra.

08 junho 2011

SOS bombeiros!!!

A corrupção não é invenção de brasileiros, mas aqui vem se aperfeiçoando como em nenhum outro lugar do planeta. O motivo? A impunidade. No Brasil, via de regra, políticos e funcionários públicos não são processados pelos crimes cometidos. E pior, em alguns casos, como acontece no Poder Judiciário, o infrator da lei é mandado para casa com polpudas aposentadorias. Por isso, a cultura da corrupção vai sendo disseminada e tomando conta da sociedade.

E quem alimenta esse processo somos nós, os cidadãos de bem. Pagamos impostos para fomentar o favorecimento de parentes, amigos e parceiros políticos: o governo federal tem atualmente cerca de 93.000 cabides de emprego, gente que ganha sem trabalhar. Quando os recursos ficam escassos, aumenta-se os impostos, mas quanto mais pagamos, menos recebemos dos malditos governantes.

27 julho 2009

PROBLEMA DE HOMENS



O texto que você vê logo abaixo está no CADERNO DE JOSÉ SARAMAGO. Ele aborda um grave problema também enfrentado pela sociedade brasileira. O assunto envolve a mulher, mas como inteligentemente destaca o escritor, jornalista, roteirista, dramaturgo e poeta português, "é um problema de homens", que eu diria, não são tão "homens" como se imaginam!


Eu poderia abordar o tema e sobre ele tecer minhas próprias considerações, mas o meu texto, por mais que eu me esforce, jamais será tão simples e objetivo como o de JOSÉ SARAMAGO. Além disso, prá falar com sinceridade, o que SARAMAGO escreve a gente não comenta, copia!


"Vejo nas sondagens que a violência contra as mulheres é o assunto número catorze nas preocupações dos espanhóis, apesar de que todos os meses se contem pelos dedos, e desgraçadamente faltam dedos, as mulheres assassinadas por aqueles que crêem ser seus donos. Vejo também que a sociedade, na publicidade institucional e em distintas iniciativas cívicas, assume, é certo que só pouco a pouco, que esta violência é um problema dos homens e que os homens têm de resolver. De Sevilha e da Estremadura espanhola chegaram-nos, há tempos, notícias de um bom exemplo: manifestações de homens contra a violência. Até agora eram somente as mulheres quem saía à praça pública a protestar contra os contínuos maus tratos sofridos às mãos dos maridos e companheiros (companheiros, triste ironia esta), e que, a par de em muitíssimos casos tomarem aspectos de fria e deliberada tortura, não recuam perante o assassínio, o estrangulamento, a punhalada, a degolação, o ácido, o fogo. A violência desde sempre exercida sobre a mulher encontrou no cárcere em que se transformou o lugar de coabitação (neguemo-nos a chamar-lhe lar) o espaço por excelência para a humilhação diária, para o espancamento habitual, para a crueldade psicológica como instrumento de domínio. É o problema das mulheres, diz-se, e isso não é verdade. O problema é dos homens, do egoísmo dos homens, do doentio sentimento possessivo dos homens, da poltronaria dos homens, essa miserável cobardia que os autoriza a usar a força contra um ser fisicamente mais débil e a quem foi reduzida sistematicamente a capacidade de resistência psíquica. Há poucos dias, em Huelva, cumprindo as regras habituais dos mais velhos, vários adolescentes de treze e catorze anos violaram uma rapariga da mesma idade e com uma deficiência psíquica, talvez por pensarem que tinham direito ao crime e à violência. Direito a usar o que consideravam seu. Este novo acto de violência de género, mais os que se produziram neste fim-de-semana, em Madrid uma menina assassinada, em Toledo uma mulher de 33 anos morta diante da sua filha de seis, deveriam ter feito sair os homens à rua. Talvez 100 mil homens, só homens, nada mais que homens, manifestando-se nas ruas, enquanto as mulheres, nos passeios, lhes lançariam flores, este poderia ser o sinal de que a sociedade necessita para combater, desde o seu próprio interior e sem demora, esta vergonha insuportável. E para que a violência de género, com resultado de morte ou não, passe a ser uma das primeiras dores e preocupações dos cidadãos. É um sonho, é um dever. Pode não ser uma utopia".