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05 fevereiro 2010

HIPOCRISIA OU FALTA DO QUE FAZER?

Julia Lira abraça Juliana Paes, homenageada pela Viradouro


A menina JULIA LIRA, de sete anos, pode não desfilar à frente da bateria da Escola de Samba Unidos do Viradouro, o que ela faria ao lado do pai, MARCO LIRA, e da mãe, MÔNICA LIRA, porque o Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente considerou a função "sensual demais para uma criança".

“Cada vez mais a sociedade aceita essa sexualização precoce de crianças e adolescentes. Nós não negamos que as crianças tenham sexualidade, mas isso tem que ser trabalhado em ambientes propícios. Não é adequado uma criança, que é considerado um sujeito em peculiar processo de desenvolvimento, ser colocada em um posto como esse”, disse o presidente da entidade, o advogado CARLOS NICODEMOS, opinião que parece ser a mesma do pediatra LAURO MONTEIRO, mas que não convence o Desembargador GUARACI VIANNA, para quem se houver “autorização judicial e dos pais, não tem problema algum.”

Aparentemente, a questão é polêmica! Será?


Acho que autoridades, profissionais da área e a própria sociedade deveriam se preocupar um pouco mais com as crianças que vivem abaixo da linha da miséria, morando sobre palafitas fedorentas, sem educação, lazer e alimentação adequadas, submetidas, em muitos casos, a trabalho escravo e até mesmo prostituição, deixando de lado quem não precisa desse tipo de "cuidado", pois tem ao seu lado os pais capazes e responsáveis de zelar por sua segurança, integridade e desenvolvimento psicológico, até prova em contrário, o que é o caso da pequena JULIA.



A assertiva de que ela não pode desfilar porque "o cargo de rainha de bateria tem um enorme apelo sexual, podendo representar um processo precoce de sexualização de uma criança", na minha opinião, é ridícula, e pior que isso, hipócrita.


Ridícula, porque não consigo entender que "apelo sexual" uma criança de sete anos de idade, ainda que sambando à frente da bateria de uma escola, possa despertar em homens ou mulheres, a não ser, é claro, que eles a enxerguem com os olhos da pedofilia. A "sexualização precoce" de uma criança depende muito mais da educação que lhe é ministrada pelos pais do que da "vigilância" do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente ou de qualquer médico pediatra, até porque se assim fosse, eles já deveriam ter tomado alguma atitude mais efetiva contra o absurdo processo de "sexualização precoce" a que estão sujeitas milhares de crianças Brasil afora, em razão, principalmente, das novelas, o que já foi objeto de discussão no tópico "Como viver a vida, segundo a Globo", onde o autor, LEANDRO FARIAS, destaca que "Viver a Vida é uma novela onde praticamente todos os personagens enganam uns aos outros. O marido trai a esposa com a prima dela, a esposa trai o marido com o cara da academia, o outro troca a companheira de uma vida inteira por uma modelo 30 anos mais jovem , que agora já vive um affair com o sujeito que conheceu no meio do deserto (que corre o risco de ser filho de seu próprio marido), irmãos (gêmeos!) disputam a mesma garota…".



Aliás, no comentário que postei no texto em questão, fiz questão de destacar que "a atuação de KLARA CASTANHO, a menina “RAFAELA”, que na minha opinião é um fenômeno como atriz, já superou, há muito, os limites imagináveis para uma personagem de sua idade. Ela não existiria, quer na ficção, quer na realidade, se não fosse o texto que lhe é entregue pelos adultos “responsáveis” pelo folhetim! Não estaria ela sendo submetida a um processo de "sexualização precoce" muito mais contundente? "Viver a vida" ao lado de tantas cenas e experiências sexuais não lhe será mais prejudicial do que desfilar à frente de uma bateria de escola de samba?



Na verdade, prá resumir a coisa, ou tem gente demais correndo atrás dos seus 30 segundos de fama, ou está faltando o que fazer! Mas com absoluta certeza, está sobrando hipocrisia!!!

03 fevereiro 2010

Como Viver a Vida, segundo a Globo

Recebi um email hoje com esse texto do Leandro Vieira. No email não vinha a autoria do artigo, mas depois de uma olhadinha no Google, descobri que o Leandro tem um blog - o Blog do Leandro - dentro do site da Abril.com - publicação Você S/A - sessão Administre-se.


Como Viver a Vida, segundo a Globo

20 jan 2010



É fato: as novelas da Globo e seus programas de grande audiência continuam ditando normas, valores e costumes. Volta e meia ouvimos alguém soltar famosos bordões como “hare baba”, “tô certo ou tô errado?”, “né brinquedo não”, “ishalá”, e outros consagrados pelos folhetins globais.

Antes que alguém levante a mão para perguntar, esse texto tem, sim, muito a ver com Administração. Qualquer evento que influencie, direta ou indiretamente, o nosso comportamento é extremamente importante para a forma como conduzimos os nossos negócios. Não é à toa que os grandes anunciantes disputam a peso de ouro o horário nobre da televisão brasileira – bem como os próprios atores. Da mesma forma, as grifes (re)direcionam suas coleções aos estilos exibidos pelas belas e influentes atrizes das novelas, mesmo que essas se passem em lugares exóticos como Índia e Marrocos, ou genuinamente brasileiros como Barretos, Rio e São Paulo. Até pouco tempo atrás, muitas moças estavam usando parte do sutiã à mostra, para imitar o modelito de Norminha, a simpática – e faceira – personagem interpretada recentemente por Dira Paes. Novelas ditam modas e, como administradores, devemos estar atentos.

Espanta-me essa última, que traz o curioso título de “Viver a Vida”. Apesar de apresentar depoimentos emocionantes de pessoas reais que superaram grandes problemas no final dos episódios, Viver a Vida dá um show de deturpação de valores do começo ao fim de cada capítulo.

Normalmente, as obras de ficção dividem claramente as pessoas entre boas e más, o certo e o errado são evidentes, e nos colocamos a torcer pelo sucesso do protagonista e o castigo dos vilões, como o fizemos em A Favorita, com o duelo entre Donatela e Flora.

Na novela de Manoel Carlos, esse dualismo não existe. Com a desculpa de aproximar seus personagens da realidade, o autor lhes confere virtudes e defeitos. Entretanto, paira um ar de normalidade sobre todas as safadezas cometidas pelos personagens, que eu chego a me perguntar o que ele quer dizer, realmente, com “viver a vida”.

Viver a Vida é uma novela onde praticamente todos os personagens enganam uns aos outros. O marido trai a esposa com a prima dela, a esposa trai o marido com o cara da academia, o outro troca a companheira de uma vida inteira por uma modelo 30 anos mais jovem , que agora já vive um affair com o sujeito que conheceu no meio do deserto (que corre o risco de ser filho de seu próprio marido), irmãos (gêmeos!) disputam a mesma garota… ufa! E tem muito mais, mas não quero tirar a paciência do leitor com essas picuinhas.


Onde mora o perigo?


Diversos estudos, em especial os conduzidos pelo Prof. Robert B. Cialdini, da Arizona State University, demonstram que temos uma grande tendência a fazer o que a maioria faz – mesmo que seja um comportamento socialmente indesejável. Segundo Cialdini, somos naturalmente maria-vai-com-as-outras*.

Manoel Carlos gasta o seu latim para provar que trair é algo normal, que todo mundo trai todo mundo e não há nada reprovável nisso. Pelo contrário: é até algo bonito, poético. As puladas de cerca ocorrem sempre com o belíssimo pano de fundo da cidade maravilhosa ao entardecer, do alto de uma asa delta, ou nas areias paradisíacas de Búzios, ao som de uma belíssima trilha sonora. Sei lá, sei lá…

Há algum tempo, havia em minha cidade um jornalzinho que circulava entre os colégios, cuja maior atração eram os recadinhos que os alunos postavam uns para os outros. Depois que Aline Moraes interpretou uma jovem lésbica em uma novela, houve uma explosão de recados (românticos) de garotas para garotas. Não estou fazendo juízo de valor no que diz respeito às escolhas sexuais de ninguém. Entretanto, desconfio que muitos desses recados não tinham nada a ver com a sexualidade dessas garotas. Elas apenas queriam ser a Aline Moraes… Imagino que, se a personagem da bela atriz fosse interpretada por Regina Casé, o efeito no jornal teria sido nulo ou completamente inverso.

Mesmo sabendo que o comportamento é uma potente fonte de influência social, geralmente as pessoas que participam de estudos de psicologia social dizem com veemência que o comportamento alheio não influencia o seu próprio. Você aí do outro lado também deve estar dizendo que isso é uma grande besteira, que você não é influenciado por novelas, nem por ninguém. Beleza. Mas, com certeza, você conhece um monte de gente que adora seguir a maioria.

O perigo está na mensagem, repetida diariamente à exaustão, justamente no horário em que a maioria dos televisores sintoniza a rede do plim-plim. Muita gente assimila o comportamento dos personagens como adequado, moderno e normal. A novela de Manoel Carlos é a receita para o fracasso de uma sociedade que tem (ou já teve?) na família o seu mais firme alicerce. Viver a vida, de verdade, é muito mais do que isso. Tô certo ou tô errado?


Leitura recomendada


* Não deixe de ler o brilhante artigo de Rodolfo Araújo onde ele explora o Princípio da Aceitação Social “(…)todo mundo gosta de se sentir integrado à sua comunidade, ou de pertencer a algum grupo. Suas atitudes deverão, sempre que possível, refletir esse sentimento e essa necessidade“.

** Leia também o livro Família Acima de Tudo, onde Stephen Kanitz fala sobre a importância da família.


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Leandro é Mestre em Administração pela Universidade Federaldo Rio Grande do Sul, certificado em Empreendedorismo pela Harvard Business SchoolUFPB. Tem MBA Internacional em Marketing, pelo IPAM – Instituto Português de Administração e Marketing e é bacharel em Direito pelo UNIPÊ. Foi professor da Escola de Administração da UFRGS. Criador e Editor do Portal Administradores.com.br, principal veículo on-line voltado à Administração de Empresas.