01 março 2010

Salvem as tartarugas!

Aqui no Brasil, desde 1980, as tartarugas têm a proteção do Projeto Tamar-ICMBio, criado pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal - IBDF, que mais tarde se transformou no Ibama - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, entidade reconhecida internacionalmente como uma das mais bem sucedidas experiências de conservação marinha, e que por isso mesmo serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho sócio-ambiental.



 

Ao longo dos anos de atuação, o Tamar vem registrando aumento gradual do número de filhotes liberados ao mar. Anualmente, protege e monitora cerca de 20 mil desovas, com 900 mil filhotes liberados ao mar. Com a 30ª temporada de reprodução 2009/2010, o Projeto atinge a marca de aproximadamente 10 milhões de filhotes nascidos sob sua proteção, desde a fundação, em 1980.





Também vem registrando a diminuição contínua do número de desovas transferidas. Mais de 70% dos ninhos permanecem in situ (mantidos nos locais originais de postura), sem manipulação dos ovos. São transferidas apenas as desovas localizadas em praias de difícil monitoramento, em zonas urbanas ou com altas taxas de predação e erosão de praia.





ENQUANTO ISSO, NA COSTA RICA...


O email contendo as fotos que podem ser vistas logo abaixo me foi enviado por EDUARDO GONÇALVES, um dos poucos políticos da Baixada Fluminense realmente interessado nas questões ambientais, que foi Vice-Prefeito de Nova Iguaçu - RJ no período 1997-2000.

As imagens, para quem respeita a Natureza,  é claro, são chocantes, e demonstram a ignorância e o pouco caso de uma nação, que troca a existência de animais marinhos sob o risco de extinção por umas poucas moedas, insensível à questão do equilíbrio ambiental.


Os ovos das tartarugas são roubados e os filhotes aprisionados viram sopa


Milhares de tartarugas buscam as praias da Costa Rica para desovar, mas o roubo dos ovos pode impedir a continuidade da raça


 A foto dá uma idéia exata do massacre: os ovos são roubados por centenas de pessoas

Quando se defende o meio ambiente, já nos acostumamos, as críticas são as mais variadas: uns nos rotulam de "eco-chatos"; outros afirmam que "não sabemos sobre o que estamos falando", e pior que isso, há até quem diga que "não temos o que fazer". Não sou um especialista em meio ambiente. Aliás, como advogado, estou muito longe disso! 

Só acho, e os fatos estão aí prá quem quiser ver, que ninguém agride o planeta impunemente. Não importa o tamanho da ação, da iniciativa, do gesto que cause o desequilíbrio. A resposta da Natureza é sempre arrasadora e indefensável.




Ninguém sabe, por exemplo, a quantidade de tartarugas das Filipinas (Siebenrockiella leytensis), no meio ambiente silvestre, mas as que ainda existem, estão sendo dizimadas pelo comércio ilegal, segundo estima Pierre Fidenci, presidente do Endangered Species International - ESI, de San Francisco.





De acordo com o portal Scientific American Brasil, "o réptil, considerado extinto, foi redescoberto em 2001, quando cientistas encontraram diversos deles à venda em mercados locais. Desde então, apenas uma população foi encontrada, na ilha de Palawan – e ela já está decrescendo. “Em alguns riachos, onde a tartaruga das Filipinas costumava existir em abundância, tornou-se difícil, quando não impossível, encontrá-la”, constata Fidenci.

Por que o declínio? Segundo o presidente da ESI, a tartaruga é tão rara e tão impressionante que se tornou um animal de estimação muito desejado no mercado. Nos últimos quatro anos, os membros organização encontraram mais de 170 tartarugas para venda em mercados de animais em Manila. Os répteis eram mantidos no fundo de lojas e trazidos ao potencial comprador apenas quando nenhum tipo de risco fosse percebido. “Não há dúvidas de que mais de 500 tartarugas são vendidas todos os anos”, garante Fidenci. A espécie é legalmente protegida nas Filipinas, mas a coerção do comércio é rara.

A redescoberta dos répteis no meio ambiente selvagem foi “a gota d’água para tamanho declínio. A procura por essa tartaruga enigmática e rara se tornou desenfreada entre os negociantes”, constata o presidente da ESI. Segundo ele, investigações da organização descobriram que os répteis são vendidos por valores entre US$ 50 e US$ 75 nas Filipinas e, após serem exportadas para o Japão, Europa e EUA, os preços chegam a atingir US$ 2.500 cada.

A ESI pressiona as autoridades locais, pedindo a coibição da prática ilegal em Palawan, mas sem resultados. Até agora, é “comércio comum e nenhuma medida foi tomada para eliminar de vez a negociação por que há falta de liderança para ir adiante”, relata o responsável pela organização.

Como, então, a tartaruga pode ser salva? Fidenci pede a criação de uma unidade especial para monitorar o comércio ilegal, além da criação de modos de vida alternativos para aqueles que estão capturando as tartarugas no meio ambiente. Uma das soluções defendidas por ele seria “transformar os negociantes em preservadores e oferecer-lhes uma remuneração por seu empenho”. Como o hábitat das tartarugas tem apenas 150km por 50km, Fidenci afirma que a empreitada não exigiria muitos recursos e que “é possível atingir o objetivo de salvar essa espécie de tartaruga da extinção”.


Como se pode ver, em qualquer circunstância ou cantinho do planeta, a tartaruga é um animal sob o risco de extinção. Por que é que o homem, com tantos recursos e tecnolgia, precisa roubar ovos em ninhos, como um caçador maníaco, e participar de forma tão efetiva na extinção de uma raça?

Sobre o Autor:
Carlos Roberto Carlos Roberto de Oliveira é advogado estabelecido em Nova Iguaçu - RJ. A criação do Dando Pitacos foi a forma encontrada para entreter e discutir assuntos de interesse geral.

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2 comentários:

  1. É muita ignorância junta, não é mesmo? Se uma ou outra pessoa recolhesse alguns ovos ou se valesse de uma tartaruga para se alimentar seria compreensível. Mas como mostram as fotos é um verdadeiro massacre. Em breve não haverá tartarugas na Costa Rica!

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  2. Lamentável... só isso que tenho a falar

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