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28 outubro 2014

Brasil, um país que não é de todos

Foto: reprodução

Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores - PT, reelegeu-se presidente da República. Ela recebeu 54.501.118 dos votos (51,63%), enquanto Aécio Neves da Cunha, do Partido da Social Democracia Brasileira - PSDB, ficou com 51.041.155 votos (48,36%). É o segundo mandato que ela obtém legitimamente, porque obedecidas as regras em vigor. Mas se somarmos os votos brancos e nulos aos dos brasileiros que não compareceram às urnas, algo em torno de 28 milhões de votos, aos mais de 50 milhões de votos conquistados por Aécio, chegaremos à conclusão de que o país será novamente dirigido por um presidente escolhido pela minoria, e o que é mais paradoxal, com boa parte dos votos de eleitores do Norte e do Nordeste, os mesmos que depois vão para São Paulo, governado pelo PSDB, em busca de melhores condições de vida.

27 março 2014

Entenda os cinco pontos essenciais do Marco Civil da Internet

Foto: reprodução

Nos últimos dias, muito se tem falado sobre o Marco Civil da Internet, criado pelo Projeto de Lei 2.126/2011, que fixa os direitos e deveres dos brasileiros que utilizam a grande rede, o que inclui governos, empresas fornecedoras de conexão ou responsáveis pelos serviços de e-mail, sites, redes sociais, entre outros. Um trabalho interessante sobre o tema foi desenvolvido pelo pessoal do Olhar Digital, empresa formada por jornalistas, profissionais de televisão e tecnologia, cujo portal é acessado em mais de cem países, com destaque para os mercados dos Estados Unidos, do Japão e de Portugal. O projeto, aprovado pela Câmara dos Deputados, ainda tem que passar pelo Senado, o que parece certo. Por isso, leia com atenção os cinco pontos que a turma do Olhar Digital destaca como essenciais para que se entenda a finalidade dessa espécie de "manual" que vai gerir a nossa Internet daqui em diante.

16 maio 2012

Travestis e transexuais vão poder usar "nome social" em documento de identidade


Seguindo o exemplo da Argentina, que na semana passada aprovou medida semelhante (com a única diferença de que lá a mudança dos documentos para o nome social é válida em todo o país), o governo do Rio Grande do Sul - RS acaba de aprovar a "Carteira de Nome Social", documento que vai permitir que travestis e transexuais gaúchos escolham o nome que querem usar em seus documentos de identidade, iniciativa que nasceu com o Decreto nº 48.118, de 17 de maio de 2011.

A medida, que por enquanto só é válida no Rio Grande do Sul - RS, foi comemorada por organizações não governamentais do país e do exterior e entra em vigor a partir de amanhã (17/05), quando é comemorado o "Dia Estadual de Combate à Homofobia".

02 janeiro 2012

Rio de Janeiro: paraíso da "farofa" brasileira e mundial

Quem chegasse à praia de Copacabana no amanhecer do primeiro dia de 2012 não iria acreditar em seus próprios olhos. Depois de tanta beleza e comemorações, o lixo. Uma turista de São Paulo, mais civilizada talvez, chegou a pedir que as câmeras não registrassem a imundície estampada nas areais brancas da mais famosa praia do mundo, numa tentativa de preservar a imagem da cidade. A moça vinda de São Paulo, indignada, dizia que o Rio não merecia ser tratado de tal maneira, e logo no réveillon "verde", que buscou homenagear a Conferência Ambiental Rio+20. Sem dúvida alguma, mais um péssimo exemplo para o mundo civilizado!

O trabalho dos garis teve início às 5h da manhã, logo que que o dia começou a clarear, e pouco tempo depois tinham sido recolhidas 370 toneladas de resíduos, quantidade 25% maior em relação ao ano passado. O educado público que ali foi dar as boas vindas ao Novo Ano, dois milhões de pessoas na estimativa da Polícia Militar, não deu a menor bola aos pedidos das autoridades para que levassem seus sacos plásticos e recolhessem seu próprio lixo.

31 agosto 2010

JORNAL DO BRASIL: A QUEDA DE UM GIGANTE

Primeira edição do JB
Ainda não eram cinco da manhã do dia 9 de abril de 1891, uma quinta-feira, quando na fachada do prédio de nº 56, da Rua Gonçalves Dias - RJ, foi hasteado o pavilhão do Jornal do Brasil, uma das maiores plataformas da informação no país. No dia 01 de setembro, ou seja, na próxima quarta-feira, depois de tantos serviços prestados aos brasileiros por mais de um século, a versão impressa do JB deixará de circular. Sai de cena o famoso Jotinha!

Como primeiros colaboradores, o JB contava com a nata da intelectualidade da época. Com efeito, lá estavam o Barão do Rio Branco, Rodolfo Dantas, Aristides Espínola, Joaquim Nabuco e Rui Barbosa, que logo se juntaria à equipe. Juntos, eles ajudaram a romper a série de gazetas e diários e fundar um verdadeiro jornal.

Depois de longa agonia financeira agravada por processos trabalhistas, o bom e velho JB, berço de notáveis jornalistas que marcaram época, sairá de vez do papel, tornando-se o primeiro jornal 100% digital do país. Para tantos brasileiros que se acostumaram a ler o noticiário objetivo e as análises de conteúdo de seus jornalistas, como os grandes Barbosa Lima Sobrinho e Carlos Castelo Branco, entre tantos outros expoentes da história do jornalismo pátrio, o fim da edição impressa do Jornal do Brasil deixa um vazio difícil de ser preenchido.

10 agosto 2010

Óleo de cozinha: ajude a reciclar!




O óleo de cozinha é altamente prejudicial ao meio ambiente e quando jogado na pia (rede de esgoto) causa entupimentos, o que obriga a utilização de produtos químicos tóxicos para a solução do problema.

A maioria dos bares, restaurantes, hotéis e residências ainda jogam o óleo utilizado na cozinha na rede de esgoto, por não conhecerem os prejuízos que isso causa ao meio ambiente.

Jogar óleo na pia, em terrenos baldios ou é um verdadeiro desastre:

Ele fica retido no encanamento, causando entupimento das tubulações se não for separado por uma estação de tratamento e saneamento básico;
Se não houver um sistema de tratamento de esgoto, acaba se espalhando na superfície dos rios e das represas, causando danos à fauna aquática;
Fica no solo, impermeabilizando-o e contribuindo com enchentes, ou entra em decomposição, soltando gás metano durante esse processo, causando mau cheiro, além de agravar o efeito estufa.

Não jogar óleo em fontes de água, na rede de esgoto ou no solo é uma questão de cidadania, que deve ser divulgada e incentivada, o que qualquer um pode fazer, primeiro, encaminhando o seu material a um ponto de reciclagem, e depois, enviando um simples email com a relação dos endereços de coleta abaixo aos seus amigos e familiares. Participe! O meio ambiente agradece!

25 julho 2010

Retrato da impunidade


O jornal O Globo traz na edição de hoje (25/07) uma triste notícia, que mostra, em cores vivas, perversas e  extremamente verdadeiras, a falência de um Estado, gerada pela incompetência e omissão de seu aparelho policial e judiciário, o que não se pode admitir em uma Nação que se apresenta ao mundo como democrática e cidadã, num país que quer se sentar à mesa de negociações de órgãos como a ONU.

Na verdade, o crime venceu mais uma vez!


"Números inéditos que estão sendo usados numa tese de doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelam que, de 1991 até maio deste ano, 75.183 pessoas desapareceram no estado. Fábio Araújo, mestre em sociologia e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ, sustenta que, desse total, cerca de 10% (7.518 pessoas) foram vítimas de homicídios. Em sua pesquisa, iniciada em 2008, Araújo mostra o perfil dos desaparecidos e se debruça num caso rumoroso, a chamada Chacina de Acari, que completará 20 anos nesta segunda-feira e prescreverá.


Vítimas são homens jovens, moradores de favelas

A série histórica de desaparecidos foi elaborada pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) e mostra variações para mais e para menos ao longo dos anos. Com base nos dados, Araújo elabora um ensaio etnográfico dos desaparecidos.

- Geralmente, são homens, jovens, na faixa etária de 18 a 24 anos, e moradores de favelas. Os autores são policiais, milicianos ou traficantes. As mães de Acari (como ficaram conhecidas as mães dos 11 desaparecidos em 26 de julho de 1990) fizeram um trabalho de limpeza moral para provar que seus filhos não eram criminosos. E mesmo que fossem, não deveriam sumir ou ser executados. Há uma ideologia de que, no Brasil, bandido pode ser morto - analisa Araújo, que entrevistou 22 famílias de desaparecidos para sua tese, entre elas, mães dos jovens de Acari e também de oito sumidos de Vigário Geral em 2005.

24 julho 2010

Denunciar é válido, mas só reclamar é inútil!


Sempre surgem críticas quando qualquer blogueiro copia e posta o texto de alguém em seu blog. Tem gente que chega a falar em roubo de conteúdo, plágio e coisas do gênero. Eu não iria a tanto, mas concordo que tais atitudes não são corretas, mas faço uma exceção: não vejo nada de errado em copiar o que é bom, desde que com a autorização do autor ou de quem publicou a matéria por último.

É esse, especificamente, o caso de um texto cuja leitura me foi recomendada há alguns dias pela Atena Vieira, amiga do diHITT, escrito, segundo ela, por Mariléa de Castro, a quem eu não conhecia e descobri ser professora de Português e Literatura, além de especialista em História da Arte e Literatura Infanto-Juvenil.

No comentário que deixei no Expansão de Consciência, o blog da Atena, depois da leitura do texto, eu disse que em toda a minha vida já li muita coisa bonita e bem escrita e cheguei a confessar a decepção sentida comigo mesmo pelo "tudo" que não fiz até hoje pelo meu país. É verdade, e isso eu disse no comentário, cheguei a ficar envergonhado.


Mas para chegar a isso eu li o texto, com muita atenção, o que nem sempre acontece na blogosfera, sejamos honestos. As pessoas, na maioria das vezes, fingem ler os textos que acham interessantes, apenas para poder deixar um comentário, nem que ele seja meio capenga. O importante é "participar", não é verdade?

22 junho 2010

Garantia de privacidade




O bluetooth é uma especificação industrial para áreas de redes pessoais sem fio (Wireless personal area networks - PANs). Através dele se pode conectar e trocar informações entre dispositivos como telefones celulares, notebooks, câmeras digitais, computadores, impressoras e consoles de videogames digitais utilizando uma freqüência de rádio de curto alcance globalmente não licenciada e segura. As especificações do bluetooth foram desenvolvidas e licenciadas pelo Bluetooth Special Interest Group.


O sistema é um protocolo padrão de comunicação primariamente projetado para baixo consumo de energia com pequeno alcance (dependendo da potência: 1 metro, 10 metros, 100 metros), baseado em microchips transmissores de baixo custo em cada dispositivo. Ele possibilita a comunicação desses dispositivos uns com os outros quando estão dentro do raio de alcance. Os dispositivos usam um sistema de comunicação via rádio, por isso não necessitam estar na linha de visão um do outro, e podem estar até em outros ambientes, contanto que a transmissão recebida seja suficientemente potente. É esse o sistema que a cidade de São Paulo está começando a usar.

30 maio 2010

VOCÊ SABIA?

Apesar de todo o poder de informação hoje ao alcance da população, e a internet talvez seja o mais utilizado, o cidadão ainda desconhece muitas obrigações e benefícios.

O governo do Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, que para fazer política gasta milhões de reais dizendo ao carioca que está "unindo forças" com o Governo Federal e a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, não usa um centavo sequer para informar o seu cidadão da existência da Lei nº 3.051, de 21 de setembro de 1998, que dispõe sobre a isenção do pagamento de taxa para a emissão da segunda via de documentos roubados ou furtados, quando eles tiverem sido expedidos por órgãos públicos do próprio Estado, como é o caso das carteiras de identidade e habilitação, e licenciamento anual de veículos, que custam ao bolso do contribuinte R$ 32,65, R$ 42,97 e R$ 34,11, respectivamente. Para tanto, basta que a pessoa que teve a documentação roubada ou furtada vá até uma delegacia de polícia e faça o registro da ocorrência. Nada mais!

Mas atenção: a lei só vale para o carioca, porque de iniciativa da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, procedimento que, aliás, deveria ser adotado em todos os Estados da Federação.

06 fevereiro 2010

FAZENDO ACONTECER, SEM HIPOCRISIA

Essa matéria foi postada no portal da revista ÉPOCA, em 10 de dezembro de 2009. Seu conteúdo, de grande apelo social, não ficou ultrapassado pelo correr do tempo, e eu me aproveito disso agora para fazer um comparativo entre ela e o tema da postagem "HIPOCRISIA OU FALTA DO QUE FAZER?".

Ao invés de se preocupar com o patrulhamento de crianças como JULIA LIRA, que só quer desfilar à frente da bateria de sua escola de samba do coração, a UNIDOS DO VIRADOURO, o Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente deveria se espelhar no projeto tema da reportagem, e aí sim, prestar um serviço às crianças das comunidades carentes de sua área de competência. Afinal, criança também tem direito a cidadania!


Leia com atenção:



O SOM QUE SALVA


Um projeto público na periferia de São Paulo ensina música clássica a milhares de crianças carentes

Kátia Mello




NA PERIFERIA
Máximo toca eufônio no CEU Navegantes, em São Paulo. Ele se exibiu na sala de concertos mais importante da cidade


Máximo Eduardo Tosta Mello, de 15 anos, subiu ao palco da Sala São Paulo - uma das melhores para concertos de música clássica no mundo - com as mãos suadas. Era 9 de novembro de 2008 e ele mal conseguia segurar seu eufônio - um instrumento de sopro pouco conhecido, semelhante a uma tuba. Máximo traduz seu som como “o mais aveludado e belo da orquestra”. Sozinho, ele tocou o “5º movimento de estudos folclóricos”, de Ralph Vaughan Williams. No final do solo, a sala foi tomada por emocionados aplausos. E Máximo chorou, exausto. “Foi a experiência mais marcante da minha vida”, diz.

Agora Máximo faz testes para ingressar na Banda Sinfônica do Estado. Ele é uma das promessas do programa Guri Santa Marcelina, que, em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, oferece formação musical a 7 mil alunos em 21 polos espalhados pela capital paulista, em geral nos Centros Educacionais Unificados (CEUs). Para dar aulas a esses meninos e meninas, foram contratados 190 professores. É o maior programa desse gênero nas metrópoles brasileiras. Para ter uma ideia, o respeitado Instituto Baccarelli, que surgiu há 13 anos com a mesma finalidade de levar a música instrumental às crianças carentes, hoje tem cerca de 500 alunos na comunidade de Heliópolis, em São Paulo. No próximo ano, o Guri Santa Marcelina deverá atingir mais 39 polos (28 escolas estaduais e dez CEUs, escolas municipais). Isso significa que serão 27 mil alunos com aulas gratuitas de música em 2010. O número é grande, mas o potencial de transformação dessa experiência na vida das crianças e dos adolescentes parece ainda maior.

O projeto de São Paulo é uma parceria entre o governo do Estado e as Irmãs Marcelinas (entidade religiosa que já participava da administração do governo José Serra na área de saúde). Ela existe desde dezembro de 2007. Agora, deverá servir como modelo para implementação das aulas obrigatórias de música nas redes municipal e estadual. Em 18 de agosto de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 11.769, que obriga as escolas a oferecer aulas de música no ensino fundamental e médio. As escolas têm três anos para se adaptar. O ensino musical em escolas públicas, porém, não é barato. Para o programa Guri Santa Marcelina, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo destinou R$ 15 milhões anuais pelo período de quatro anos. Parece muito dinheiro para um país carente investir em algo que aparentemente não é essencial. Mas o resultado é animador.

"Só me vejo fazendo isso”, diz Máximo. Tímido, ele olha para o chão ao falar. Conta que nas horas em que está em seu quarto senta-se na cama e escuta a música do maestro e compositor americano James Curnow. Em sua escrivaninha, ao lado da cama, estão partituras do inglês Philips Sparke. Máximo afirma que os amigos dizem que “ele é doido”. Ele começou a tocar eufônio aos 13 anos e até hoje seu pai custa a acreditar que o menino leva a música clássica a sério. “Minha família não me dá muito crédito”, diz. Órfão de mãe, ele vive com o pai e a madrasta. Meninos como ele trocam o campinho de futebol de terra batida por um quarto fechado, invadido apenas por acordes. Para esses músicos mirins, o gol é marcado quando uma peça de Chopin, de Beethoven ou de Schubert são bem executadas.


"Fazer música sensibiliza, proporciona raciocínio lógico, concentração, disciplina e memória", Paulo Zuben, músico e gerente do projeto


Outro destaque do projeto Guri é Fransuelen da Silva, de 11 anos. Se a previsão for confirmada, em alguns anos Fransuelen estará bem empregada em uma das principais orquestras do país. Fran, como é conhecida, toca clarinete e, em agosto deste ano, teve a chance de participar do 7º Festival Bourbon Street, em São Paulo, ao lado do trombonista americano Glen David Andrews e sua banda de Nova Orleans. Não há exagero em dizer que a música transformou a vida dessa garota e de sua família. “Eu era uma peste. Quebrava os copos de casa quando tinha raiva. Também achava que estudar era chato.” Hoje, apaixonada pela música, Fran diz que se tornou aluna exemplar. “Estudar exige dedicação. Mas eu vou me formar em música”, afirma.

A mãe de Fran, Sandra de Souza Silva, de 48 anos, empregada doméstica, relata como a música interferiu na rotina familiar. Antes temia que suas crianças passassem o dia na rua, mas hoje sai sossegada para trabalhar às 4 da manhã. “Sei onde encontrá-las”, diz. A escola de música tornou-se um segundo lar para Fran e seus dois irmãos, Marlon, de 13 anos, que toca trompete, e Júnior, de 15, que toca eufônio. “Eles não faltam um dia na aula e isso me tranquiliza. O Cantinho do Céu é muito perigoso. As crianças vendem drogas aqui na frente de casa”, diz. O Cantinho do Céu é um dos bairros mais violentos da periferia paulistana. Fica no distrito do Grajaú, no extremo sul da capital. No caminho para a escola, Fran, seus irmãos e outras crianças do programa veem crianças levando e trazendo drogas - os chamados “aviõezinhos” dos traficantes. As ruas do bairro são esburacadas, há esgoto a céu aberto, faltam segurança e, principalmente, esperança. Quando conseguem emprestados instrumentos da escola, festa em casa. Na escadaria de azulejo da sala de Fran, em minutos forma-se uma pequena banda. Na casa dos Silvas, ouve-se música clássica.


BANDA CASEIRA
Fransuelen (de blusa vermelha) com seu clarinete ao lado dos irmãos Júnior (de camisa bege), Marlon (de preto), Suelen e a mãe, Sandra, em casa, no bairro Cantinho do Céu, em São Paulo

16 setembro 2009

Índios ribeirinhos do Lago de Itaipu fazem documentos pessoais

Fiz questão de postar esta notícia aqui, neste espaço, pois acompanho os Ava-Guarani de Oco'y desde 2005, quando Tupã Ñembo'agueraviju, nome Guarani de Antonio Cabrera, professor de Guarani da Aldeia, me pediu ajuda através do Portal do Voluntário.

Transcrevi o email dele para chamar a atenção para o fato de que nada foi dado de graça, como vem mencionado na reportagem ao final do email ("Graças a uma iniciativa da Associação dos Juízes Federais do Brasil"). Há muito tempo a Associação formada pelos índios da Aldeia Avá-Guarani tem feito inúmeros pleitos junto à instituições governamentais e não-governamentais, universidades, UNESCO e diversas outras entidades. Vocês poderão notar pelas palavras acaloradas dele que há um misto de vitória e revolta.


UMA VITORIA DA ORGANIZAÇÃO OSCIP GUARANY EM PARCERIA DA FUNDACEN, MTE, ANOREG, OABPR, ESTE TRABALHO FOI REALIZADO JUSTAMENTE ATRAVÉS DE VÁRIAS DENÚNCIAS CONTRA A FUNAI E ITAIPU, QUE SE NEGARAM A FORNECER DOCUMENTOS A POPULAÇÃO AVÁ GUARANI DO OESTE DO PARANÁ POR VÁRIOS ANOS. A JUSTIÇA DIVINA FINALMENTE CHEGOU PARA ACABAR DE VEZ COM OS CARRASCOS DOS AVÁ GUARANI. PODEMOS DIZER AGUA MOLE EM PEDRA DURA TANTO BATE ATÉ QUE FURA.

AINDA TEMOS MUITOS O QUE FAZER, ACREDITAMOS QUE A POPULAÇÃO AVÁ GUARANI JÁ NÃO PODEM SER ESCRAVO DA FUNAI, ITAIPU, FUNASA, OU DE QUALQUER OUTRAS ORGANIZAÇÕES.

CHAMO A ATENÇÃO:

Ainda temos muitas crianças e idosos sem documentos, precisamos agir enquanto ainda é tempo.

Os documentos foram feitos somente para aqueles que já tinham o CERTIDÃO DE NASCIMENTO, QUE PENAMOS MUITO PARA CONSEGUIR.

Rogo aos senhores parceiros para agirmos rapidamente, pois, o Presidente da República deu um prazo de 6 meses para que todos os que não tem documentos se regularizem.

OLHA QUE BENÇÃO, É UMA GRANDE VITÓRIA DE DEUS. Agradecemos a todos pelos empenhos e pela vitória alcançada.

QUEM PODERIA IMAGIMAR ESTA FAÇANHA, O QUE DEUS PODE FAZER VAI ALÉM DA NOSSA IMAGINAÇÃO.

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecid...

Índios ribeirinhos do Lago de Itaipu fazem documentos pessoais que dão acesso a diferentes benefícios.

SÃO MIGUEL DO IGUAÇU - Reginaldo Mbaraka Martines, 70 anos, a esposa Rogélia, 60, e o filho Júnior Nasario Tupã Mbaraka Mar­tines, 26, foram os primeiros da fila em frente à escola da aldeia Ocoy, em São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Paraná. Graças a uma iniciativa da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), os três deram entrada nos documentos que lhes garantirão os mesmos direitos que qualquer cidadão brasileiro tem.





O colar “que traz proteção” deu lugar à gravata e ao terno para a foto do documento de identidade. Devidamente registrado, Martines poderá também requerer a aposentadoria e outros benefícios previdenciários. “Agora meu pai vai ficar mais tranqüilo”, comentou o filho, enquanto ajudava a mãe a se posicionar em frente à câmera fotográfica. “Se quiser, pode até fazer um financiamento, comprar uma televisão ou o que precisar.”

Para Júnior, o acesso à documentação é uma chance de ampliar os horizontes e ajudar na preservação da identidade guarani. “Quero estudar e trabalhar. Sem os documentos, não tinha como. Tenho planos de sair da aldeia e viajar. Estou certo que vou contribuir com o meu povo, mantendo a nossa cultura”, projeta o jovem, casado e pai de um casal de filhos. “Se a gente já não pode mais viver como os índios de antigamente, o melhor é se adaptar.”

Até o fim do dia de hoje, 250 juízes e voluntários de entidades parceiras do projeto Expedição da Cidadania estimam atender boa parte dos mil índios das três aldeias guaranis ribeirinhas ao Lago de Itaipu. Além dos documentos de identidade, título de eleitor, carteira de trabalho e de reservista, os avá-guarani receberam orientações e atendimento de saúde. “Essa é uma conquista que há muito tempo estamos buscando: reconhecimento e respeito”, avaliou o ex-cacique Simão Tupã Villalba.

Missão

No Paraná, o mutirão de ação social – que nasceu de uma iniciativa da Justiça Federal para levar as varas especiais a regiões carentes e isoladas do país – também atenderá comunidades indígenas e quilombolas. De acordo com o presidente da Ajufe, juiz Fernando Mattos, as próximas paradas serão Foz do Iguaçu e Ponta Grossa. “Mui­­­tas pessoas nem ao menos sabem que têm direitos e chegam a viver quase toda a vida sem acesso a qualquer garantia ou benefícios básicos.”

Lançada oficialmente em março, a expedição fez a primeira incursão na cidade de Porto Mur­tinho (MS), na fronteira com o Paraguai. Em três dias de atividades, com o apoio da Marinha e do Exército, foram atendidas mais de 6 mil pessoas, a maioria estrangeiros em busca da legalização para a permanência no Brasil. “O acesso à Justiça e a dignidade do cidadão são princípios constitucionais que precisam e devem ser assegurados a todo cidadão”, completou Mattos.

Postado por Tupã Ñembo'agueraviju
Data: 16/09/09 às 01:05

19 julho 2009

ESSA É A LEI DO BOPE?



Com raras exceções, duas verdades são intransponíveis: o homem é produto do meio e muito músculo, de vez em quando, atrapalha o cérebro!

Alguns treinamentos de forças militares ou paramilitares, com muita razão, diga-se de passagem, sempre foram muito criticados, tanto no Brasil como no restante do mundo.

Quando os "especialistas" nesses treinamentos não exageram na violência, que em alguns casos já provocou a morte de gente inocente, pecam por um tipo de mau gosto que tem cara de desrespeito e discriminação, o que ficou patente no treinamento que policiais do BOPE, o grupo de elite da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, realizaram na última quinta-feira no Parque Guinle. Cantavam os candidatos a super-homens:


1ª parte: "Homem de preto qual é sua missão? / Entrar na favela e causar destruição"!

2ª parte: "Se o maconheiro não quiser falar / Pega o desgraçado e dá porrada até matar".



Tudo bem que não podemos transformar bandidos armados em vítimas, nem querer que a polícia os trate com flores! Mas se esse é o lema da corporação, algo está muito errado!

Não sei se o governador SÉRGIO CABRAL está no Rio (afinal, ele viaja mais do que o LULA!), mas acho que ele deveria tomar uma atitude. Afinal de contas, "causar destruição" na favela, onde a maioria são pessoas de bem, não me parece correto. E cá entre nós, pegar "o maconheiro" que "não quiser falar" e no "desgraçado" dar "porrada até matar" me parece coisa dos tempos da ditadura, absolutamente fora da lei! Com todo respeito, é claro!


29 abril 2009

A CIDADANIA ATIVA ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO

Esse texto me foi enviado pela professora ELIANA PONTES, a quem convidei prá participar do blog. Ela tentou comentar o texto “Os Perigos da Cidadania Ativa”, mas não conseguiu, e o enviou a mim prá que eu o tentasse aproveitar. Como não posso fazer o comentário em nome dela, resolvi postar o texto.

Está sendo um sacrifício empenhar meu tempo num projeto para ajudar o outro a ser um pouco mais humano; ensinar pesar a consciência na balança dos "afazeres da vida".

O tamanho da responsabilidade para preservar o próximo deveria ser equivalente ao cargo que ocupamos no centro da nossa consciência, e não na cadeira de uma Academia, de um Ministério Público, de uma empresa multinacional...

Ensino, principalmente crianças, a descobrirem que possuem riquezas dentro de suas mentes, e elas podem se transformar em formas de defesa contra os manipuladores, especializados em enganar os outros, mas que não conseguem enganar o seu próprio espelho.

Abraçar uma causa justa sem sujar a consciência é algo nobre e precioso, traz bons frutos e dá prazer. Quando criança, eu ouvia minha mãe dizer que o pobre serve de escada para o rico subir. Agora eu compreendo a pobreza de forma mais abrangente, onde um "pobre" se sacrifica para promover o bem, mas não percebe que também se "arrisca" ao servir de exemplo a outras pessoas sensíveis e "sem poder aquisitivo" ou "sem influências sociais".

É inevitável a propagação de um gesto de cidadania, pois a caridade contamina outros corações solidários, por isso os "poderosos" investem em "calar ou substituir" mentores do bem pelos "benfeitores politicamente corretos".

Quando enxergamos no outro a dor e o amor aprendemos a repudiar a corrupção e praticar cidadania. Não podemos parar de plantar a nossa semente na educação que faz gerar, cada vez mais, cidadãos dignos e sadios.

28 abril 2009

Os Perigos da Cidadania Ativa

Amigos,

Recebi esse texto por email e resolvi compartilhá-lo com todos. Tem muito a ver com o que falamos aqui neste espaço, seja em postagens como em comentários.


OS PERIGOS DA CIDADANIA ATIVA


Paulo R. Santos


Ser cidadão ou cidadã, de fato e de direito, é perigoso? Sim. Tanto no Brasil como em qualquer outra parte do planeta. Afinal, fazer valerem direitos e respeito a costumes socialmente determinados, a leis que equilibram a convivência social, sempre vão esbarrar em interesses de casta, classe e, principalmente, em interesses pessoais.


Chico Mendes é atualmente lembrado e celebrado como um homem exemplar na defesa da Amazônia, do meio ambiente, dos direitos dos pequenos diante dos abusos e da tirania dos grandes e poderosos. Foi indiretamente ameaçado. Recebeu recados de que sua vida estava em perigo. Fez denúncia à Polícia, ao Ministério Público, mas só foi levado a sério depois de ter sido encontrado morto, com o peito cheio de chumbos de uma espingarda de grosso calibre.


Chico Mendes morreu por aquilo em que acreditava. Morreu por seus ideais, por causa de sua determinação, de sua ousadia em enfrentar os donos do negócio (o negócio, neste caso, é a Amazônia e suas riquezas naturais). Morreu por reclamar menos e fazer mais. A isso se denomina cidadania ativa.


Cidadania não se resume a um status jurídico. Um direito outorgado pelo Estado a partir de uma determinada idade. Cidadania é, sobretudo, uma escolha moral, e essa escolha pode acontecer em qualquer idade. Independe de sexo, etnia, idade, religião, grau de escolaridade, vida urbana ou rural.


Cidadania é um estado de alma. Um comprometimento com a vida coletiva, com o bem-estar de todos e de todas. A cidadania está colada à solidariedade e aos direitos para todos e para todas. Direitos e não privilégios. Os poderosos de todos os tempos defendem seus supostos privilégios de classe ou casta, e os revolucionários (ou cidadãos ativos) de sempre, morrem pela preservação ou conquista de direitos.


A cidadania passiva é conveniente para a democracia liberal-burguesa. Afinal, uma vez a cada quatro anos vamos às urnas para sacramentar o que já está decidido no topo da pirâmide do poder. Ainda assim, o voto é um meio de mudar os rumos da vida coletiva sem derramamento de sangue, ... mas depende de cidadãos ativos, atentos ao que de fato acontece na vida coletiva.


A cidadania ativa é cotidiana e, por isso mesmo, perigosa. Exige o enfrentamento das mazelas sociais, da corrupção, dos desmandos, dos maus tratos produzidos por aqueles que deveriam atender bem ao contribuinte. Exige posicionamento sobre assuntos controversos, que se admita o contraditório, que se treine a convivência entre diferenças e divergências dentro dos limites das leis do país e dos costumes.


A cidadania passiva é complacente, omissa e conivente, e seus adeptos sofrem da “síndrome de Pilatos” (“Isso não e comigo!”). Lavam as mãos diante de tudo que lhes afete a rotina ou lhes fira algum interesse pessoal.


A cidadania ativa é perigosa porque exige exposição pessoal, a denúncia e a renúncia. Só pode ser levada a efeito por aqueles que estão dispostos a sofrer (ou a morrer) pelo que é justo e bom para todos. São muitos os casos na história. Gandhi, Nelson Mandela, Martin Luther King Jr., Chico Mendes, ... e muitos outros e outras, conhecidos e anônimos que, aliás, são maioria.


Reclamar e terceirizar responsabilidades ou ações não muda os rumos das coisas. Basta ver como anda a vida social na atualidade. Os indicadores crescentes de homicídios, suicídios, linchamentos, violências de todos os tipos, não serão reduzidos pelo poder público, fragilizado e contaminado pelo crime organizado. Os membros conscientes da sociedade civil terão que aliar-se à sociedade política (dos três poderes) para reverter, quanto possível, a curva ascendente da decadência social.