25 novembro 2010

Rio de Janeiro: a face oculta

Nós, cariocas e brasileiros, da mesma forma que o restante do mundo, nos acostumamos a ver o Rio de Janeiro como a Cidade Maravilhosa das canções, prosas e versos, mas hoje, e de uma forma assustadora, estamos conhecendo o outro lado da moeda, a face oculta do Rio, aquela que só a população mais miserável conhece, a imagem de uma realidade construída durante anos de omissão e negligência de autoridades e políticos.

Estamos no meio de uma verdadeira guerra urbana, que só chegou a esse ponto em razão da incompetência e o descaso dos que deveriam ter impedido a entrada de armas e drogas, não apenas no Rio de Janeiro, mas em todo o território nacional. A incapacidade logística, a vaidade, a corrupção, os interesses políticos e a falta de liberação de recursos, não tenho dúvidas, foram as principais causas da batalha que hoje está sendo travada nas ruas da nossa cidade, onde a população, como sempre, é quem paga o preço mais alto, é o alvo preferido de balas perdidas.

Não é possível, claro, colocar um policial em cada esquina, mas toda esquina tem um cidadão, que pode e tem a obrigação de ajudar a ação da polícia, o que pode ser feito com um simples telefonema para o Disque-Denúncia. As ligações, não custa repetir, não são identificadas. Ligue (21) 2253-1177 e participe dessa luta contra a rataiada que se instalou nos becos escuros das favelas cariocas.

De acordo com as últimas informações, 150 policiais do Batalhão de Operações Especiais - BOPE, homens da Coordenadoria de Recursos Especiais - CORE e 30 fuzileiros navais com rostos pintados entraram na Vila Cruzeiro, na Penha, no início da tarde desta quinta-feira (25/11). Seis carros blindados do Corpo de Fuzileiros Navais, do tipo M113, o mesmo usado na guerra do Iraque, estão transportando policiais.

De acordo com o comandante do Estado Maior da PM, coronel Álvaro Garcia, a operação enérgica desencadeada nesta quinta-feira tornou-se necessária porque os bandidos responsáveis pelos ataques feitos à sociedade se escondem neste local.

A Secretaria estadual de Saúde divulgou o balanço de atendimentos desta quarta-feira, no Hospital Getúlio Vargas, também na Penha, devido aos confrontos na região. Ao todo, 21 pessoas deram entrada na unidade, quatro morreram e três continuam internadas. Para esta quinta-feira, a Secretaria reforçou o número de médicos na emergência. Médicos do Corpo de Bombeiros também estão no hospital.

Principal reduto do tráfico no Rio, a Vila Cruzeiro, junto com o Complexo do Alemão, se transformou no maior bunker de traficantes cariocas, recebendo bandidos de comunidades ocupadas por Unidades de Polícia Pacificadora - UPPs.

O Exército entrou em alerta máximo e reforçou a segurança de todas as suas unidades militares no Estado do Rio. Até agora, os militares não foram acionados para ajudar o estado no policiamento, como já foi feito em outros anos, mas apenas para dar apoio logístico, como fará a Marinha.

De acordo com o balanço da PM, foram apreendidas 29 pistolas e revólveres, dez fuzis, duas espingardas calibre 12, uma submetralhadora, cinco granadas e duas bombas artesanais nas operações de ontem. Na Chatuba, foi apreendida uma tonelada de maconha. Segundo o relações-públicas da PM, coronel Henrique Lima Castro, a corporação pôs 17.500 militares nas ruas e reforçou o policiamento nas UPPs, temendo que as unidades fossem alvos dos bandidos.

O balanço mais recente da PM indica que 14 veículos foram incendiados nesta quinta. Desde domingo (21) até as 11h30 desta quinta, a PM contabiliza 55 veículos queimados, 55 presos, 121 detidos, 29 armas curtas apreendidas, além de 11 fuzis, 2 espingardas e 5 granadas.

Sobre o Autor:
Carlos Roberto Carlos Roberto de Oliveira é advogado estabelecido em Nova Iguaçu - RJ. A criação do Dando Pitacos foi a forma encontrada para entreter e discutir assuntos de interesse geral.

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4 comentários:

  1. Olá Roberto querido!
    Bem, para ser honesta eu não sou fã do RJ (me perdoem os cariocas. Acho uma cidade linda, sem dúvida, mas temos muitas pelo Brasil. São Paulo, minha cidade, também não é o modelo de beleza e segurança, por isso nem fico com aquele "bairrismo" que muitos gostam de mostrar. O que eu quero dizer é que o RJ enfrenta muitos problemas, consequência não apenas do tráfico ou das autoridades, mas talvez por ter que lidar com o próprio "ego" que lhe criaram. Hoje, "olhar no espelho" representa constatar (através de lentes de aumento) uma realidade que assola o mundo todo. Sei lá...estou apenas refletindo aqui.
    Grande beijo,
    Jackie

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  2. O mundo realmente atravessa uma época de violência, que é determinada por interesses políticos diversos. Mas a violência do Rio é diferente, porque ditada pela vagabundagem.

    O traficante, via de regra, é um sujeito indolente, que odeia o trabalho e optou por viver da miséria humana representada pelo vício das drogas. É uma violência nojenta, que dá origem a uma infinidade de outros ilícitos penais.

    Essa mesma violência hoje instalada no Rio, porque aqui a incapacidade dos governantes foi maior, vai se espalhar por todos os Estados, se não houver uma atitude mais enérgica, mais contundente por parte das autoridades.

    É o que está acontecendo agora no Rio, cuja situação de violência chegou ao limite e não pode continuar.

    Um abração, Jackie...

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  3. leila_siveris@hotmail.com1 de dezembro de 2010 14:59

    Boa tarde Carlos tudo bem?Estou de acordo com sua matéria, vi nas reportagens atuais, onde os bandidos do estado de Porto Alegre, estão fazendo músicas no embalo do fank, onde as palavras se referem ao ataque do Rio, dizendo que os políciais percorrem os bairros a luz do dia, más que a noite os traficantes que dominam. Ou seja debocham das autoridades!!!!

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  4. Oi, Leila!

    Aqui no Rio eles também zombaram, mas no dia da invasão o que se viu foi a bandidada fugindo como ratos, com o rabo entre as pernas.

    Tomara que a nova iniciativa das autoridades cariocas não caia no vazio, mas ao contrário, torne-se uma constante. O cidadão merece viver em paz!

    Um beijão...

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