04 dezembro 2010

A história da marvada

Você alguma vez ouviu contar a história da pinga? Isso mesmo: cachaça, aguardente! Eu confesso que já ouvi muitas lendas, mas essa eu não conhecia. Segundo dizem, o texto está no Museu do Homem do Nordeste, em Recife – PE, o que tentei confirmar via internet, mas não consegui. Vamos pingar?

Conta o escrito que no Brasil de antigamente, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo, mas não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Um dia, porém, cansados de tanto mexer e com outras tarefas ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou. O que fazer? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo, fermentado.

Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo, e levaram os dois ao fogo. Resultado: o “azedo” do melado antigo era álcool, que aos poucos foi evaporando e formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente. Era a cachaça já formada que pingava. Daí o nome “pinga”. Quando a “pinga” batia nas costas dos escravos marcadas com as chibatadas dos feitores, ardia muito, daí teria surgido a expressão “água-ardente”. Quando a “pinga” caía em seus rostos e escorria até a boca, os escravos ficavam alegres e com vontade dançar. A partir daí, sempre que era possível, eles se reuniam debaixo da goteira para rir e dançar!

E por falar em cachaça, dê uma olhadinha nesse texto que circula pela internet. Não sei se você vai concordar, mas o autor, que é desconhecido, deve ter morrido de cirrose!


Pra curar sua paixão, beba pinga com limão;

Pra curar sua amargura, beba pinga sem mistura;
Contra dor de cotovelo, beba cachaça com gelo;
Contra falta de carinho: cachaça, cerveja e vinho!
Se brigar com a namorada, beba pinga misturada;
Se brigar com a mulher, beba pinga na colher;
Quem dá amor e não recebe, mistura todas e bebe;
E se alguém te faz sofrer, beba para esquecer!!!
Pra curar seu sofrimento, beba pinga com fermento;
Pra esquecer um falso amor, beba pinga com licor;
Pra acalmar seu coração, beba até cair no chão;
E se a vida não tem graça, encha a cara de cachaça!!!
Pra você ganhar no bicho, beba uma no capricho;
Pra ganhar na loteria, beba pinga na bacia;
Pra viver sempre feliz, beba pinga com raiz;
E se você não tem sorte… beba pinga ate a morte!!!
Se essa vida de cão só te faz sofrer, o remédio é beber…

Sobre o Autor:
Carlos Roberto Carlos Roberto de Oliveira é advogado estabelecido em Nova Iguaçu - RJ. A criação do Dando Pitacos foi a forma encontrada para entreter e discutir assuntos de interesse geral.

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8 comentários:

  1. SE você não sofre de trombose, baba para morrer de cirrose.
    Abraços forte

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  2. É isso aí, Príncipe!

    Um abração...

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  3. Amigo querido Carlos!
    Nossa esse acha motivos para tudo,é um beberrão mesmo!
    Entrou com certeza em coma.
    Infinitamente prefiro beber o amor!
    Parabéns pelo post!
    Bjos querido!

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  4. Tô contigo e não abro, Claudia!

    E na falta do amor, eu prefiro água!

    um beijão...

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  5. Uau! Roberto,gostei dos versinhos.
    Eu também tenho uma história de pinga ligada à nossa vida. O avô de meu marido tinha um alambique em Paraty e ganhou até medalha com a pinga azulada. Meu marido então, a convite de um irmão que não tinha dinheiro, mas tem sítio em Paraty, decidiu construir um alambique e exportar a cachaça. Então comprou um pedaço do terreno do irmão e mais alguns na entrada de Paraty. Investiu muito dinheiro lá, construiu e montou o alambique, que hoje produz uma cachaça artesanal.
    O final da história não é bom. O irmão nunca assinou nenhum papel e, como moramos longe, se quiséssemos nossa parte do negócio, teríamos de abrir um processo contra ele, mas com bom advogado. No início,achamos que não valia a pena, pois a decepção foi grande, depois, não tínhamos dinheiro para um bom e confiável advogado e resolvemos recomeçar em São Paulo, com nosso próprio trabalho ( éramos mais jovens e achávamos que podíamos tudo!) e iniciamos um restaurante... o resto você já sabe... foi nesta época que fizemos 3 péssimos negócios, porque estavam mais na "palavra"!
    E nem estávamos bêbados, hein!! imagine se tivéssemos tomando umas pinguinhas!!kkk...........

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  6. Acho bom nem imaginar, Vera, rsrsrs...

    Um abração...

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  7. Amigo Carlos, eu não conhecia a origem da pinga... Que interessante! Lembrei-me de Inezita Barroso, cantando "A Marvada Pinga".
    Aliás, apesar da triste condição de escravos, estes contribuíram muito com a cultura de nosso país. Que o diga a feijoada e a capoeira...
    Obrigada por compartilhar!
    Abraços,
    Yolanda

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  8. Yolanda:

    Confesso que a Inezita Barroso não me veio à cabeça quando postei o texto, mas me lembro da música. A composição é de Ochelsis Laureano, e letra diz:

    "Com a marvada pinga
    É que eu me atrapaio
    Eu entro na venda e já dou meu taio
    Pego no copo e dali nun saio
    Ali memo eu bebo
    Ali memo eu caio
    Só pra carregar é que eu dô trabaio
    Oi lá
    Venho da cidade e já venho cantando
    Trago um garrafão que venho chupando
    Venho pros caminho, venho trupicando, xifrando os barranco, venho cambetiando
    E no lugar que eu caio já fico roncando
    Oi lá
    O marido me disse, ele me falo: "largue de bebê, peço por favô"
    Prosa de homem nunca dei valô
    Bebo com o sor quente pra esfriar o calô
    E bebo de noite é prá fazê suadô
    Oi lá
    Cada vez que eu caio, caio deferente
    Meaço pá trás e caio pá frente, caio devagar, caio de repente, vô de corrupio, vô deretamente
    Mas sendo de pinga, eu caio contente
    Oi lá
    Pego o garrafão e já balanceio que é pá mor de vê se tá mesmo cheio
    Não bebo de vez porque acho feio
    No primeiro gorpe chego inté no meio
    No segundo trago é que eu desvazeio
    Oi lá
    Eu bebo da pinga porque gosto dela
    Eu bebo da branca, bebo da amarela
    Bebo nos copo, bebo na tijela
    E bebo temperada com cravo e canela
    Seja quarqué tempo, vai pinga na guela
    Oi lá
    Ê marvada pinga!
    Eu fui numa festa no Rio Tietê
    Eu lá fui chegando no amanhecê
    Já me dero pinga pra mim bebê
    Já me dero pinga pra mim bebê e tava sem fervê
    Eu bebi demais e fiquei mamada
    Eu cai no chão e fiquei deitada
    Ai eu fui prá casa de braço dado
    Ai de braço dado, ai com dois sordado
    Ai muito obrigado!

    Um grande beijo...

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