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05 maio 2011

As duas faces do Rio de Janeiro

O tema que quero abordar nesse post não precisa de muitas palavras. Para caracterizá-lo de forma a me fazer entender, bastam algumas cenas relacionadas ao cotidiano da Cidade do Rio de Janeiro – RJ, mesmo que alguns já tenham afirmado alhures que “imagem não é nada”.

Nas últimas eleições, abraçados ao slogan “unindo forças”, os governos federal e estadual e a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro – RJ elegeram seus candidatos prometendo mundos e fundos ao povo carioca. A saúde foi um dos assuntos mais badalados. É verdade que a cidade vem passando por transformações, mas não se iludam, todas visam a Copa do Mundo e as Olimpíadas, eventos que se tornaram a galinha dos ovos de ouro para a ativação de novos ralos de corrupção e captação de dividendos políticos.

07 fevereiro 2011

Criança brasileira: o abandono do Poder Público

A omissão criminosa que fecha os olhos à devastação da Floresta Amazônica é a mesma que finge não enxergar a tragédia que destrói o futuro e os sonhos de milhares de crianças da região. Abandonadas pelos pais e negligenciadas pelo Poder Público, crianças e adolescentes das comunidades de Fátima, Livramento, São Sebastião, Ebenézer, Julião e Agrovila, no igarapé do Tarumã - Manaus - AM, tornaram-se presa fácil nas mãos dos traficantes de drogas. 

De acordo com o Conselho Tutelar da Zona Rural, meninos e meninas dessas comunidades estão sendo usados para vender bebidas alcoólicas e entorpecentes nos arredores de suas casas e em balneários próximos, como as praias da Lua e do Escondidinho.


Pior: para atender as dezenas de casos que não param de chegar todo dias, o Conselho Tutelar só conta com o apoio de dois policiais militares – e uma viatura quebrada há quase um ano. Os policiais deviam atuar em seis comunidades, atendendo mais de cinco mil pessoas, mas esbarram na falta de estrutura.

22 janeiro 2011

Mais omissão criminosa

Existem atualmente 88 projetos “anti-desastres” no Congresso Nacional: 48 deles estão no Senado, e os outros 40, na Câmara. Até agora, os parlamentares discutiram, lamentaram, mas nada fizeram no sentido de encontrar soluções para o problema de catástrofes ambientais como a que acaba de ocorrer no Rio de Janeiro - RJ. Todos os projetos foram engavetados!

Aliás, essa é a regra geral: primeiro os parlamentares lamentam a ação das forças da natureza. Depois, vêm as proposições, que apontam algumas sugestões para prevenir as tragédias. Em seguida, os projetos vão para as comissões, onde são engavetados.


No que se refere à tragédia da Região Serrana do Rio de Janeiro não foi diferente: a discussão começou com a contagem de corpos. As chuvas pegaram o Congresso em recesso, mas devido à situação de emergência, a Comissão Representativa do Congresso (trata-se de órgão composto às vésperas de cada recesso) foi convocada a Brasília.

A Comissão pediu aos técnicos do Congresso o levantamento sobre os projetos “anti-desastres” em tramitação. Algumas propostas foram apresentadas na época de catástrofes de 2008 e de 2009. A sociedade brasileira espera que o esquecimento e as gavetas não paralisem também os projetos e propostas feitas após a tragédia da Região Serrana do Rio.

Aqui também, eu só queria entender...

Omissão criminosa

De onde a gente menos espera é que não vem nada mesmo. Desde a campanha eleitoral nos acostumamos a ver uma Dilma Roussef que não conseguia completar sequer um raciocínio, o que foi motivo de piadas e alguns vídeos cujas cenas eram simplesmente constrangedoras. Mas isso é passado. Como presidente eleita, e muito ao contrário de Lula, Dilma Rousseff sumiu de cena.

Aí veio a tragédia das chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro - RJ, e ela, como qualquer presidente que se preza, não poderia ficar em seu gabinete apenas administrando a verdadeira batalha que se instalou em Brasília para divisão do poder entre PT e PMDB. Acompanhada de seu staff, ela deu um “pulinho” no local da tragédia, e antes de voltar ao palco da disputa entre os seus aliados, deu uma entrevista. Foram cerca de 40 minutos inesquecíveis, de onde se destaca uma frase impressionante: “o rio vive um momento muito forte”, e para se ter uma idéia da densidade de seu discurso, anotou também que a ocupação de áreas de risco no Brasil é regra, não exceção, como se isso pudesse explicar as centenas de mortes e diminuir a dor dos atingidos.

15 agosto 2010

A POLÍTICA DE "VEADOS" E "CARANGUEJOS"

Eu juro que não queria falar de política em pleno domingo. Queria, sim, curtir o vídeo da Cyndi Lauper que está no post anterior. Ler um pouco mais sobre a história dessa grande estrela pop e agora amante do blues. Não consegui! Certos fatos não podem passar desapercebidos, principalmente fatos políticos. Mas essa história que vem de Andrelândia, uma cidadezinha encravada no interior de Minas Gerais, acreditem, me fez rir muito. Ela mostra a que ponto pode chegar a intolerância humana (e política), de uma forma muito engraçada.

O causo está na Revista do O Globo de hoje (15/08) e é assinado por Renato Grandelle. As fotos são de Marizilda Cruppe. Leia com bastante atenção:

"Entre a Serra da Mantiqueira e a depressão do Rio Aiuruoca esconde-se Andrelândia, reduto mineiro inalcançável para os hábitos de metrópole ou as complexas siglas partidárias. Seus 12 mil habitantes não enxergam tucanos ou estrelas petistas no céu, menos ainda nas urnas. A fauna política local é regida por "caranguejos" e "veados", facções que se revezam no poder e figuram em folclóricas tramas de segregações, casamentos polêmicos e até ruas de calçamento inacabado.

Há algo de conspiratório no reino de cervídeos e crustáceos; ambos respondem em uníssono quando questionados sobre a divisão política da cidade. O discurso oficial é que o controverso bipartidarismo empacou Andrelândia, que só recentemente experimentou algum desenvolvimento.

19 maio 2010

A LUTA DO PADRE CHIERA


Vocês podem achar que eu não tenho nada para fazer e fico perambulando por Nova Iguaçu à procura de algum assunto ou acontecimento interessante, mas não é assim que a banda toca. O mês de maio, inclusive, tem sido um dos mais complicados para mim em termos de trabalho.

O problema é que o meu escritório fica praticamente em frente à Prefeitura da Cidade Nova Iguaçu, razão pela qual sou o que se pode chamar de “testemunha ocular” de algumas manifestações, que não me interessam se têm caráter político, mas atraem a minha atenção quando o seu objeto é a defesa de pessoas menos protegidas, principalmente crianças.

Por isso postei dias atrás o texto intitulado O BANQUETE DA FOME, onde me referi à omissão do Executivo municipal, que há meses atrasa o repasse de verbas, prejudicando centenas de crianças que dependem das creches comunitárias até para se alimentar.

10 maio 2010

Povo sem história é povo sem cultura



A Vila de Iguassu surgiu às margens do Rio Iguaçu lá pelos idos de 1800, bem próximo do local onde hoje estão as ruínas da Fazenda São Bernardino, na região de Tinguá. A vila se desenvolveu e virou município. Pouco tempo depois, em terras da região de Iguassu, surgiu um arraial, que recebeu o nome de Maxambomba e cresceu muito com a chegada da Estrada de Ferro D. Pedro II, em 1858. A vila de Iguassu, porém, era pujante, por causa da sua localização privilegiada, às margens de uma das variantes do Caminho Novo para Minas Gerais e do Rio Iguaçu, navegável àquele tempo. Por ele, chegava-se à Baía de Guanabara e à capital do Império.

O que hoje chamamos de Baixada Fluminense (Duque de Caxias, São João de Meriti, Nilópolis) era o município de Iguassu, que tinha sede em Tinguá. No final do século XIX, Iguassu sofreu um surto de cólera e muita gente morreu. Por isso, as autoridades da época decidiram mudar a sede do município para Maxambomba, que acabou virando Nova Iguassu, isso lá pelos idos de 1910. A antiga cidade foi abandonada aos poucos e a floresta tomou conta de tudo. Ainda hoje há escombros da velha Iguassu nas matas de Tinguá.

26 abril 2010

ALGEMAS DO MEDO





Se já não bastassem as facilidades criadas para o criminoso pela Lei de Execuções Penais, o Governo Federal agora planeja soltar cerca de 80 mil presos "menos perigosos", que serão "monitorados" por tornozeleiras eletrônicas.

Segundo O GLOBO, "depois de longos debates no 12° Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, em Salvador, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) decidiu elaborar um projeto de monitoramento eletrônico que pode resultar na soltura de cerca de 80 mil presos, quase um quinto da população carcerária brasileira. O monitoramento poderá ser feito pela tornozeleira eletrônica, que permite saber a localização de quem a usa. O governo entende que o controle de criminosos de baixa periculosidade fora das cadeias é uma das poucas alternativas para desafogar os presídios no país. O número de detentos aumenta a uma taxa de 7,3% ao ano, e, para o Depen, não há investimento em ampliação da estrutura prisional que dê conta da demanda.

07 fevereiro 2010

Crack: a epidemia da vez


"O crack, droga derivada da cocaína, está se tornando um flagelo nacional, espalhada pelo país em diferentes classes sociais e tomando até salas de aula, contam Catarina Alencastro e Odilon Rios em reportagem publicada pelo GLOBO neste domingo.


Em Maceió, a imagem dos santos despedaçados, num altar da escola estadual Benício Dantas, virou o símbolo da derrota dos professores na luta contra o tráfico de drogas. Invadida várias vezes, a escola já teve salas, pavilhões, corredores e banheiros destruídos e reconstruídos várias vezes. Há dois registros de tiroteio na escola, o ginásio de esportes virou uma cracolândia, e os alunos fumam maconha nas salas de aula. No turno da tarde, 25% dos estudantes desistiram de estudar na escola ano passado. Casos como esse são rotina em Maceió. Dados do Ministério Público Estadual indicam que 30% dos alunos das 120 escolas da rede pública estadual na capital alagoana, entre 10 e 20 anos, estão envolvidos com o tráfico ou viraram viciados.